Os Puritanos (1)

Os puritanos ingleses foram ministros na Igreja da Inglaterra que tentaram produzir uma  reforma na Igreja nacional.  Os puritanos constituíam sempre uma minoria, a qual nunca excedeu 20%. Não foram bem-sucedidos na sua tentativa de reformar a Igreja.  Contudo, eles exerceram um estilo de oração e pregação que teve grande influência na nação.  Nos seus escritos encontramos os melhores recursos da literatura expositiva cristã jamais disponíveis na história da Igreja Cristã no mundo.  Desde a década dos anos 1960, o valor dos livros puritanos tem sido redescoberto nos países de língua inglesa.  Subsequentemente, certos títulos excelentes têm sido traduzidos para outras línguas.  Os puritanos ingleses, como pastores e pregadores, foram mais fortes onde nós somos mais fracos hoje.  Esta série irá relatar a história de como os puritanos ingleses vieram a existir.  Irá descrever as vidas de puritanos proeminentes. Certos assuntos relevantes em que foram mestres serão expostos para o nosso proveito.

A História dos Puritanos

Em sua “Abreviada História do Povo Inglês”, J.R. Green declarou: “Nenhuma mudança moral jamais aconteceu numa nação como ocorreu na Inglaterra durante os anos entre a metade do reinado de Elizabeth e o encontro do Longo Parlamento (1640-1660). A Inglaterra se tornou o povo de um livro, e este livro era a Bíblia”.[1]

Isso pode soar exagerado, mas podemos ter certeza de que Green quis dizer que os Puritanos eventualmente exerceram uma influência espiritual totalmente desproporcional ao seu pequeno número, pois sempre eram minoria. Isso ajudará a ver a história em perspectiva se nos lembrarmos de que a população da Inglaterra em 1500 era de cerca de dois milhões e por volta de 1600 havia crescido para aproximadamente quatro milhões. Em relação à religião, apesar da obrigatoriedade de se frequentar a igreja, é duvidoso afirmar que mais do que um quarto da população da Inglaterra durante este período tinha qualquer religião. É interessante observar que, na atualidade, a população da Inglaterra é de cerca 48 milhões e o país é dividido em 13.000 paróquias com 10.000 clérigos, 8.000 assalariados. Esta observação geral precisa ser lembrada, não somente pelo período em questão, porém muito mais em relação aos tempos atuais, quando aqueles que professam e praticam a fé cristã constituem provavelmente menos de 10 por cento da população. Ralph Josselin, em sua paróquia em Essex não celebrou sua Ceia do Senhor por nove anos e quando ele o fez, em 1651, apenas trinta e quatro pessoas foram qualificadas para participar. Josselin falou de três categorias de paroquianos: primeiro, aqueles que raramente ouvem a pregação; segundo, aqueles que são “ouvintes sonolentos”; e terceiro, “nossa sociedade” um pequeno grupo de pessoas piedosas.

A religião nominal sempre tem caracterizado a grande maioria dos Anglicanos. Era assim naquela época tanto quanto agora. Por volta de 1600, o número de ministros puritanos havia crescido cerca de dez por cento, ou seja, em torno de 800 dos 8.000 clérigos da igreja da Inglaterra. Por volta de 1660, esta proporção cresceu aproximadamente vinte e cinco por cento. Entre 1660 e 1662 cerca de 2.000 foram expulsos da Igreja Nacional da Inglaterra.

Antes da Reforma, a igreja da Inglaterra era católico-romana. Em características, era uma coleção de práticas, hábitos e atitudes ao invés de um corpo de doutrinas intelectualmente coerentes. A protestantização da Inglaterra foi essencialmente gradual, ocorrendo vagarosamente durante o reinado de Elizabeth “um pouco aqui, um pouco ali”, e de forma muito fragmentada. A partir de 1600, o crescimento começou a acelerar-se. Na época do rompimento de Henrique VIII com Roma, a Inglaterra era totalmente católico-romana. Por volta de 1642, estima-se que não mais de dois por cento eram católicos, embora dez por cento da aristocracia ainda o fosse.

Por todo o período que desejo destacar a Inglaterra era uma sociedade monolítica. Todos eram obrigados a conformarem-se à Igreja da Inglaterra. Isso gerou os “recusantes”, aqueles que, por causa de suas convicções puritanas ou pela lealdade à igreja católica romana, recusaram-se a frequentar os cultos da Igreja da Inglaterra. De 1570 a 1791 isso era sujeito a penalidades que envolviam muitas desvantagens civis. Os recusantes passaram a aquietar-se para se livrarem dos problemas. Foi durante o período de 1640 a 1660 que surgiram as denominações cristas: Presbiterianas, Congregacionais, Batistas e Quaqueres (todos estes juntos representando cerca de cinco por cento da população apenas). O Ato de Tolerância de 1689 marcou o fim da alegação da Igreja da Inglaterra se ser a única Igreja inclusiva do povo inglês, embora continuasse a ser a Igreja estabelecida pela lei.


[1] J.R. Green, Short Story of the English People

Fonte: Quem foram os Puritanos, Erroll Hulse – PES, 2004

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