Mapas Mentais – Cosmovisão | Nancy Pearcey

16460_819927411400282_5669633022734788435_nAfirmar que o cristianismo é a verdade sobre a realidade total significa dizer que é uma cosmovisão que envolve tudo. O termo significa, em seu sentido literal, visão do mundo, uma perspectiva biblicamente instruída sobre a totalidade da realidade. A cosmovisão é como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo. É a impressão da verdade objetiva de Deus em nossa vida interior.

Poderíamos dizer que cada um de nós tem um modelo do universo dentro da cabeça que nos diz como o mundo é e como viver nele. Um clássico sobre cosmovisões é o livro intitulado O Universo ao Lado, que sugere que todos temos um universo mental ou conceituai no qual “vivemos” — uma rede de princípios que explica as questões fundamentais da vida: Quem somos? De onde viemos? Qual é o propósito da vida? O autor do livro James Sire, convida os leitores a examinar muitas cosmovisões para entenderem o universo mental mantido pelas outras pessoas — as que vivem no “universo ao lado”.

Cosmovisão não é a mesma coisa que filosofia formal; caso contrário, só seria pertinente a filósofos profissionais. Até as pessoas comuns têm um conjunto de crenças sobre como a realidade funciona e como deveriam viver. Por termos sido feitos à imagem de Deus, todos buscamos dar sentido à vida. Certas crenças são conscientes, ao passo que outras são inconscientes, mas juntas formam um quadro mais ou menos consistente da realidade. Os seres humanos “são incapazes de manter opiniões puramente arbitrárias ou tomar decisões sem quaisquer princípios”, escreve Al Wolters num livro sobre cosmovisão. Porque somos por natureza seres racionais e responsáveis, sentimos que “precisamos de algum credo pelo qual viver, algum mapa pelo qual traçar nosso curso”.10

A noção de que precisamos de tal “mapa” surge, em primeiro lugar, da visão bíblica da natureza humana. Os marxistas afirmam que, no final das contas, o comportamento humano é moldado pelas circunstâncias econômicas; os freudianos atribuem tudo a instintos sexuais reprimidos; e os psicólogos comportamentais encaram os seres humanos pela ótica de mecanismos de estímulo-resposta. Todavia, a Bíblia ensina que o fator dominante nas escolhas que fazemos é nossa crença suprema ou compromisso religioso. Nossa vida é talhada pelo “deus” que adoramos — quer o Deus da Bíblia quer outra deidade substituta.

O termo cosmovisão é tradução da palavra alemã Weltanschauung, que significa “modo de olhar o mundo” (welt, “mundo”; schauen, “olhar”). O romantismo alemão desenvolveu a ideia de que as culturas são conjuntos complexos nos quais certa perspectiva sobre a vida, ou o “espírito” da época, é expressa pelo painel da própria vida — na arte, literatura e instituições sociais, bem como na filosofia formal. O melhor modo de entender os produtos de qualquer cultura é entender a cosmovisão subjacente que se expressa. No entanto, a cultura muda ao longo do curso da história, e, assim, o uso original do termo cosmovisão denotou relativismo.

Mais tarde, a palavra foi apresentada nos círculos cristãos por pensadores holandeses neocalvinistas, como Abraham Kuyper e Herman Dooyeweerd. Eles argumentavam que os cristãos não podem se opor aos princípios da época em que vivem, a menos que desenvolvam uma cosmovisão bíblica de igual modo abrangente — uma perspectiva sobre a vida que dê origem a formas de cultura distintamente cristãs —, com a qualificação importante de que não seja a mera crença relativística de uma cultura em particular, mas que esteja baseada na própria Palavra de Deus, a verdade para todas as épocas e lugares.”

O pensamento da genuína cosmovisão é muito mais que estratégia mental ou nova informação nos acontecimentos atuais. Em seu cerne, é um aprofundamento de nosso caráter espiritual e do caráter de nossa vida. Começa com a submissão de nossa mente ao Senhor do universo — a disposição voluntária de sermos ensinados por Ele. A força motriz dos estudos da cosmovisão tem de ser um compromisso a: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento…” (Lc 10.27)

        É por isso que a condição crucial para o crescimento intelectual é o crescimento espiritual, pedindo a Deus a graça de levar “cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2 Co 10.5). Deus não é apenas o Salvador de almas, é também o Senhor da criação. Um modo de reconhecermos seu senhorio é interpretar todo aspecto da criação, levando em conta a verdade divina. A Palavra de Deus torna-se os óculos que oferecem nova perspectiva sobre todos os nossos pensamentos e ações.

        Como ocorre com cada aspecto da santificação, a renovação da mente é dolorosa e difícil. Requer trabalho duro e disciplina, inspirado por um amor sacrifical a Cristo e um desejo ardente de edificar o seu Corpo, a Igreja. Para termos a mente de Cristo, devemos estar dispostos a sermos crucificados com Ele, indo aonde quer que nos conduza — a qualquer preço. “Pois que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). À medida que nos submetemos ao refinamento no fogo do sofrimento, nossos desejos são purificados e acabamos desejando nada mais que curvar toda fibra de nosso ser, inclusive nossas faculdades mentais, para cumprir a Oração do Senhor: “Venha o teu Reino”. Ansiamos por entregar todos os nossos talentos e dons aos seus pés a fim de promover os seus propósitos no mundo. Desenvolver uma cosmovisão cristã significa submeter nosso “eu” a Deus, em ato de devoção e serviço a Ele.

 Nancy Pearcey – Verdade Absoluta – Ed. CPAD

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