Por que o Facebook (e sua igreja) podem estar te deixando triste? | Russell Moore

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Fomos avisados que mídia social pode nos distrair, diminuir nossa atenção, nos desligar de relacionamentos da vida real. Agora um novo estudo sugere que o Facebook também pode tornar-nos infelizes. Eu suspeito que há alguma medida de razão nisto, e não é apenas sobre o Facebook. Trata-se de nossas igrejas.

A revista Slate cita um artigo em uma revista de psicologia social que iniciava com uma observação sobre como os estudantes universitários se sentiam mais desanimados após fazerem logon no Facebook. Havia algo que os entristecia ao “percorrer outros perfis e fotos legais, biografias vencedoras, e atualizações de status.” Os alunos tiveram o humor obscurecido porque acreditavam que todo mundo era mais feliz que eles.

A jornalista Libby Copeland especula que o Facebook pode “ter um poder especial de nos fazer mais tristes e solitários.” Como pode acontecer isso, no entanto, quando o Facebook geralmente é assim… bem, feliz, cheio de rostos sorridentes e famílias bonitas? Bom, esse é justamente o ponto.

“Ao apresentar a parte mais espirituosa, alegre de vidas tão bonitas, e convidar as pessoas a constantes comparações em que tendemos a nos ver como os perdedores, o Facebook parece explorar o calcanhar de Aquiles da natureza humana”, escreve Copeland. “E as mulheres, um grupo especialmente infeliz, podem tornar-se especialmente vulneráveis ao se informarem sobre o que imaginam ser a felicidade dos vizinhos.”

Sim, Copeland escreve, o Facebook pode registrar crianças bonitinhas e momentos agradáveis, mas isso nunca é o todo, ou mesmo a maior parte, da história de vida de qualquer pessoa. “Lágrimas e acessos de raiva raramente são registrados, nem os surtos de maluquices”, escreve ela.

Agora, em um sentido, quero falar com quem realmente se preocupa com o Facebook. Se você é aquele que se compara aos outros, desligue a tela do computador e faça uma desintoxicação do brilho azul dela. Mas ao mesmo tempo, me parece, o mesmo fenômeno está presente nos bancos de nossas igrejas cristãs.

Nossos “bem sucedidos” pastores e líderes sabem sorrir. Alguns deles fizeram escovinhas e usam abotuaduras, outros são grunges e usam cabelo bagunçado. Mas eles estão aqui para nos “empolgar” sobre “o que Deus está fazendo em nossa igreja.”

Nossas músicas de adoração são tipicamente celebrativas, tanto nas letras quanto na expressão musical. Na última geração, uma canção triste sobre a crucificação foi animada com um coro bem alegre: “Foi ali pela fé que um dia eu vi, e agora estou feliz o dia todo!”

Este não é apenas um problema da grande geração reavivalista. Mesmo as músicas de adoração contemporâneas que vêm diretamente dos Salmos tendem a se concentrar em salmos de crescimento ou de exuberância alegre, não salmos de lamento (e certamente não em salmos imprecatórios!).

Podemos facilmente cantar com o profeta Jeremias: “grande é a tua fidelidade” (Lm 3:23). Mas quem pode se imaginar cantando, na igreja, com Jeremias: “Cobriste-te de ira, e nos perseguiste; mataste, não perdoaste. Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração. Como escória e refugo nos puseste no meio dos povos.”(Lm 3:43-45).

Essa sensação de jovialidade forçada é visto nas “liturgias” ad hoc(que tem uma finalidade especifica) da maioria das igrejas evangélicas na saudação e na despedida. Ao começar o culto temos um pastor sorrindo ou um líder de louvor empolgado: “É ótimo ver você hoje!” Ou “Estamos felizes por você estar aqui!”. Ao terminar o culto o mesmo semblante sorridente e cheio de dentes diz: “Vejo vocês no próximo domingo! Tenham uma ótima semana!”

Claro que teremos. O que mais poderíamos fazer? Estamos alegres no Senhor, não estamos? Queremos incentivar as pessoas, não é? E, no entanto, o que estamos tentando fazer não está funcionando, mesmo nos termos que estabelecemos para nós mesmos. Suspeito que muitas pessoas em nossos bancos olham ao redor e acham que os outros têm a felicidade que continuamos prometemos, e se perguntam por que ela passou por elas sem avisar.

Ao não falar, quando a Bíblia fala, sobre toda a gama de emoções humanas, incluindo a solidão, a culpa, a desolação, raiva, medo, desespero, apenas deixamos o nosso povo perguntando por que eles simplesmente não podem ser “cristãos” o suficiente para, afinal de contas, sorrir.

O evangelho fala uma “língua” diferente, no entanto. Jesus diz: “Felizes os que choram, porque serão consolados” (Mt 5:4). No reino, recebemos o conforto de uma forma muito diferente do que somos ensinados em nossa cultura. Recebemos o conforto não por, de um lado, chorar por nossos direitos ou, por outro lado, fingir nossa felicidade. Somos consolados quando vemos o nosso pecado, nossa fragilidade, nossa situação desesperadora, e lamentamos, choramos, clamamos por libertação.

É por isso que Tiago, irmão de nosso Senhor, parece tão fora de sintonia com o ethos contemporâneo evangélico. “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai”, ele escreve. “Converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tiago 4.9). O que aconteceria a um líder de igreja que terminasse o culto dizendo ao seu povo: “Tenha um dia infeliz!” Ou “Espero que todos chorem bastante esta semana!” Soaria como louco. Jesus sempre parece louco para nós, à primeira vista (Jo 7.15, 20).

Ninguém é tão feliz quanto parece no Facebook. E ninguém é tão “espiritual” quanto parece com o que julgamos como “espiritual” o bastante para o culto cristão. Talvez o que precisamos em nossas igrejas são mais lágrimas, mais falhas, mais confissão de pecados, mais orações de desespero que são profundas demais para palavras.

Talvez, então, os solitários, culpados e os desesperados entre nós verão que o evangelho não chegou para o feliz, mas para os contritos de coração, não para o saudável, mas para o doente, não para os achados, mas para os perdidos.

Portanto, não se preocupe com as pessoas felizes e deslumbrantes do Facebook. Elas precisam de conforto e libertação tanto quanto você. E, mais importante, vamos deixar de ser essas pessoas felizes e deslumbrantes quando nos reunimos em adoração. Não tenhamos vergonha de gritar de alegria e não tenhamos vergonha de chorar de tristeza. Vamos nos educar, não para fazer publicidade, mas, para a oração, por arrependimento e por alegria.

Tenha um dia infeliz (e um abençoado também).

Tradução: Rafael Bello| reforma21.org | original aqui

Idolatria na Adoração | Bob Kauflin

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Qual é o maior obstáculo para você ao adorar a Deus junto com a igreja?

Posso pensar em várias respostas possíveis: nosso líder de música não tem muita experiência. A liturgia é muito engessada. A banda é muito ruim. O pregador é muito desanimado. Nossa igreja é muito pequena. Ou, nossa igreja é muito grande.

Embora eu não queira minimizar a importância de planejamento fiel, habilidade musical e liderança sábia, nosso grande problema quando falamos de adorar a Deus não é externo a nós, mas está em nossos próprios corações. É o problema da idolatria.

Qualquer outra coisa além de Jesus

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”, disse João ao encerrar sua primeira carta. Em outras palavras, não busque em qualquer outra coisa além da glória de Deus em Cristo a fonte de sua maior alegria, mais profunda satisfação e maior autoridade.

A idolatria pode estar em ação em meu coração mesmo quando estou reunido com o resto da igreja. Sempre que penso que não posso me encontrar com Deus a não ser que “x” esteja presente, estou afirmando algo muito profundo. Se “x” é qualquer coisa além de Jesus Cristo e seu Espírito Santo, estou me movendo em território idólatra.

É claro, Deus usa meios para se revelar. Nós o encontramos por meio de sua palavra lida e pregada, pela Santa Ceia, na comunhão uns com os outros e em nossas canções e orações. Mas quando fazemos desses meios – ou, mais especificamente, a execução desses meios – a base para nossa comunhão com Deus, acabamos de adicionar uma barreira desnecessária para encontrá-lo. Nós comparecemos à assembleia dos santos como consumidores e juízes idólatras, ao invés de servos e recebedores agradecidos.

Nossos ídolos nos cultos de Domingo

Quais são alguns dos ídolos que talvez enfrentamos nos Domingos? Aqui estão alguns que me vêm à mente.

Excelência musical

É fácil ser distraído por execuções desleixadas, músicas simplistas, guitarras e vocalistas desafinados, bateristas fora de ritmo ou uma mesa de som desregulada. É por isso que habilidade musical é um mandamento bíblico (Salmo 33.3). Mas ao invés de apenas criticar internamente o que está acontecendo, eu posso pensar que Deus usa as coisas tolas desse mundo para confundir as sábias (1 Coríntios 1.20-31). Eu posso me lembrar que Jesus aperfeiçoa todas as nossas ofertas de adoração por meio de seu sacrifício definitivo (1 Pedro 2.5), e que mesmo a apresentação mais brilhante é insuficiente em si mesma para merecer o favor de Deus. Pode ser útil também conversar com o responsável após o culto para comunicar, de forma humilde, o que você tem ouvido onde você se senta.

Preferência musical

Nossos líderes nem sempre escolhem as músicas do nosso iPod. E eles não deveriam. A melhor música para a congregação serve tanto à letra quanto à unidade da congregação, não aos nossos gostos e desgostos pessoais. Nenhuma música deveria nos impedir de glorificar nosso Redentor. Nós nos reunimos com o corpo para edificarmos uns aos outros. Eu dou mais glória a Deus ao me regozijar quando os outros membros da igreja estão sendo edificadas por uma música, mesmo que não seja uma das minhas preferidas.

Habilidade homilética

Quem nos dera que todo pregador fosse tão bem treinado, dotado e hábil como alguns dos pregadores mais conhecidos de nossos tempos. Mas não são. Mas, desde que estejam pregando o evangelho e buscando comunicar a palavra de Deus fielmente, eles estão obedecendo a Deus – e nós podemos nos regozijar nisso (2 Timóteo 4.2). Como o avô de Charles Spurgeon disse certa vez, alguém pode pregar melhor o evangelho, mas ninguém prega um evangelho melhor. Seja resoluto em encorajar e agradecer o pregador da sua igreja.

Criatividade

Criatividade nunca deve ser o objetivo da nossa adoração. Deve ser apenas um meio para o fim de demonstrar e enxergar a glória de Cristo mais claramente. Novas formas ou meios de comunicação podem nos dar uma perspectiva diferente, de forma que a verdade tenha um impacto maior em nós. Mas se estamos preocupados porque nossa adoração comunitária não é legal, hipster, ou surpreendente o suficiente, precisamos nos lembrar que o evangelho de Cristo é sempre uma novidade – e a melhor novidade que poderíamos ouvir.

Experiências

Todos amam “experiências de adoração” com Deus. Mas o objetivo do povo de Deus ao se reunir não é simplesmente de sentir borboletas no estômago, mas ver e lembrar de algo com verdadeira afeição. Esse “algo” é a palavra, as obras e a glória de Deus, especialmente no que ele revelou de si mesmo em Jesus Cristo (2 Coríntios 4.6). Se eu busco apenas arrepios ou picos de emoção durante um culto, Deus se torna simplesmente mais uma das numerosas opções que eu posso escolher.

Liturgia

Formas e práticas são significativas quando nos reunimos como povo de Deus par adorá-lo. Nossas reuniões refletem e modelam nossas crenças. Mas não há qualquer “perfeccionismo litúrgico” que possamos alcançar que jamais fará nossa adoração mais aceitável pra Deus do que ela já é em Jesus. Nosso objetivo é fazer por meio da fé o que aumente a glória de Cristo mais efetivamente e de forma mais fiel à Escritura. Nós podemos e devemos usar elementos e proposições bíblicas na adoração comunitária. Mas a liturgia deve nos servir, não nos governar. Como Deus viu por bem dar liberdade na forma, nós também deveríamos.

Toda vez que nos reunimos, é uma oportunidade de glorificar a graça de Deus revelada a nós em nosso Salvador crucificado e ressurreto. Não deixemos os ídolos nos impedirem de nos regozijarmos na alegria inexprimível de que nossos pecados foram perdoados e fomos reconciliados com Deus.

Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

A Vontade de Deus e a Mente Cristã | John Stott

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Que Deus quer guiar o povo dele e é capaz de fazê-lo é um fato. Isso é o que a Escritura nos ensina; em Suas promessas (por exemplo, Pv 3:6 ” Ele endireitará as tuas veredas”), em Seus mandamentos (por exemplo, Ef 5:17: “Não sejam insensatos, mas procurem compreender qual a vontade do Senhor”); e em suas orações (por exemplo, Cl 4:12…”que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus”).

Mas como descobrimos a vontade de Deus? Há crentes que afirmam, com certa facilidade, que “o Senhor me disse para fazer isto” ou “o Senhor me chamou para fazer aquilo”, como se tivessem uma linha direta com o céu e estivessem em permanente e direta comunicação telefônica com Deus. Acho difícil acreditar em tais pessoas. Outros há que pensam receber minuciosa direção de Deus fazendo as mais imaginativas interpretações de passagens bíblicas, matando o sentido natural, violando o contexto e não tendo uma base numa exegese segura, nem no senso comum.

Se queremos discernir a vontade de Deus para conosco, devemos começar fazendo uma distinção importante: sua vontade “geral” e sua vontade “particular”. A vontade “geral” de Deus é assim chamada por ser sua vontade para com todo o seu povo em geral, em todas as épocas; ao passo que, a vontade “particular” de Deus pode ser referida por ser sua vontade para com pessoas em particular e em ocasiões específicas. A vontade geral de Deus para conosco é que nos conformemos à imagem de seu Filho. A vontade particular de Deus, por outro lado, refere-se a questões tais como a escolha da profissão; a escolha do companheiro ou companheira na vida; e como empregar nosso tempo, nosso dinheiro e nossas férias.

Precisamos ter princípios seguros para a interpretação bíblica. Precisamos estudar, discutir e orar.

Uma vez feita essa distinção, achamo-nos em condições de repetir e responder aquela nossa pergunta sobre como descobrirmos a vontade de Deus. Pois a vontade geral de Deus foi revelada nas Escrituras. Não que seja sempre fácil discernir sua vontade nas complexas situações éticas modernas. Precisamos ter princípios seguros para a interpretação bíblica. Precisamos estudar, discutir e orar. Não obstante, continua sendo verdade, no que se refere à vontade geral de Deus, que a vontade para com o Seu povo se encontra na Palavra de Deus.

A vontade particular de Deus, por outro lado, não se encontra “pronta” na Escritura, pois a Bíblia não se contradiz, e é uma característica da vontade particular de Deus que ela seja diferente para diferentes membros da sua família. É claro que encontramos nas Escrituras princípios gerais que nos orientam na tomada de nossas decisões em particular. E não nego que muitos homens de Deus, pelos séculos a fora, afirmaram Ter recebido das Escrituras uma direção detalhada. Todavia, devo repetir que está não é a forma de como Deus costumeiramente procede.

Considere, por exemplo, a questão do casamento. A Escritura lhe dará uma direção em termos gerais. Ela lhe dirá que o casamento está nos planos de Deus, e que uma vida de solteiro deve ser a exceção, não a regra; que um dos objetivos principais do casamento é o companheirismo, e essa é uma das qualidades a ser procurada na pessoa com que se casar; que como cristão você tem a liberdade de se casar somente com quem seja também crente em Jesus; e que o casamento (o compromisso total e permanente de um homem com uma mulher) é o contexto ordenado por Deus no qual a união e o amor sexual devem ser desfrutados. Estas e outras verdades vitais acerca da vontade geral de Deus para com o casamento, a Escritura lhe mostrará. Mas a Bíblia não lhe dirá se é a Clara, a Mara, a Sara ou a Nara aquela com quem você deverá se casar!
Como então tomar uma decisão a respeito desta importantíssima questão? Há somente uma resposta possível: usando a mente e o senso comum que Deus lhe deu. Você certamente orará pedindo a direção de Deus.

E se você for sábio, pedirá o conselho de seus pais e de outras pessoas mais velhas que o conhecem bem. Mas a decisão final é sua, na confiança de que Deus o guiará no seu próprio raciocínio.

“Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem” (Sl 32:9).

Há uma boa base bíblica, no Salmo 32:8-9, para o uso da mente dessa forma. Estes dois versículos devem ser lidos em conjunto. Eles nos dão um bom exemplo do equilíbrio que há na Bíblia. O versículo 8 contém uma promessa quanto à direção de Deus: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e sob as minhas vistas, te darei conselho”. É, com efeito, uma tríplice promessa: “instruir-te-ei, ” “ensinar-te-ei, ” e “dar-te-ei conselho”. Mas o versículo 9 acrescenta imediatamente: “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem”. Em outras palavras, embora Deus prometa nos guiar, não devemos esperar que o faça tal como guiamos cavalos e mulas. Deus não porá um freio, nem uma rédea em nós; pois não somos cavalos nem mulas: somos seres humanos. Temos entendimento, o que mulas e cavalos não têm.

É, pois, pelo uso de nosso próprio entendimento, iluminados pela Escritura e pela oração, recebendo o conhecimento de amigos, que Deus nos guiará para conhecermos sua vontade particular para nós.

É urgente atentarmos a essa advertência da Escritura. Já vi muitos jovens cristãos cometerem erros sérios e tolos por agirem sob algum impulso irracional ou “por palpite”, em vez de se valerem da mente dada por Deus. Poderiam fazer suas as palavras de Bernard Baruch: “Todos os fracassos que tive, todos os erros que cometi, todas as tolices que já vi por aí, tanto na vida pública como no particular, foram a consequência de uma ação não pensada. ”.

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Trecho extraído do livro Crer é Também Pensar, da Editora Ultimato. John Stott é conhecido no mundo inteiro como teólogo, escritor e evangelista, Ele é autor de mais de quarenta livros, incluindo A Missão Cristã no Mundo Moderno, A Bíblia Toda, o Ano Todo, Por Que Sou Cristão O Incomparável Cristo, A Mensagem de 2 Timóteo, A Mensagem de Atos, A Mensagem de Romanos, A Mensagem de Efésios, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, Sinais de Uma Igreja Viva, A Verdade do Evangelho e o campeão de vendas Cristianismo Básico. Falecido em 27 de julho de 2011, Stott foi pastor emérito da All Souls Church, em Londres, e fundador do London Institute for Contemporary Christianity. Foi indicado pela revista Time      como uma das cem personalidades mais influentes do mundo.

O Ídolo do Sucesso | Paul David Tripp

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Na presença de seu filho adolescente, escutei um pai dizer: “Você sabe como é ir à igreja e saber que todos estão falando sobre seu filho rebelde e orando por ele? Você sabe como é entrar no culto com todos os olhos voltados para você, sabendo que as pessoas ficam pensando no que está acontecendo e se você e sua esposa estão superando? ”.

Ele continuou. “Isso não é o que deveria acontecer. Nós procuramos fazer fielmente o que Deus nos chamou a fazer como pais, e olhe só onde acabou! Eu pergunto a mim mesmo, se eu soubesse que tudo acabaria desse jeito, será que teríamos decidido ter filhos? Eu não consigo descrever quão desapontado e envergonhado estou. ”

Naquela tarde, com seu filho escutando, aquele pai falou o que muitos pais já sentiram, mas nunca verbalizaram. Nossa tendência é encarar a criação de filhos com expectativas como se tivéssemos garantias inabaláveis. Nós pensamos que se fizermos nossa parte, nossos filhos irão se tornar cidadãos exemplares. Nossa tendência é encarar a criação de filhos com um senso de posse, com um senso de que esses são os nossos filhos e a obediência deles é o nosso direito.

Esses pressupostos pavimentam o caminho para nossa identidade se enrascar em nossos filhos. Começamos a precisar que eles sejam o que eles deveriam ser para que, aí sim, possamos desfrutar de um senso de cumprimento de nosso dever e de sucesso. Começamos a olhar para nossos filhos como nossos troféus ao invés de criaturas de Deus. Secretamente, queremos exibi-los como conquistas de um trabalho bem feito.

Quando eles falham em viver à altura das nossas expectativas, nós não nos vemos tristes com eles e lutando por eles, mas irados contra eles, lutando contra eles e, de fato, tristes conosco mesmos e com nossa perda. Ficamos irados porque eles tiraram algo valioso de nós, algo que passamos a entesourar, algo que começou a governar nossos corações: uma reputação de sucesso.

É tão fácil perder de vista o fato de que são filhos de Deus. Eles não nos pertencem. Eles não nos foram dados para trazer glória a nós, mas a Ele. Nossos filhos são dEle, eles existem através dEle e a glória de suas vidas aponta para Ele. Nós somos apenas agentes para cumprir Seus planos. Nós somos apenas instrumentos em Suas mãos. Nossa identidade está enraizada nEle e Seu chamado a nós, não em nossos filhos ou em nossa performance.

Como pais, nós temos problemas sempre que perdemos de vista essas “realidades verticais”. Quando a criação de filhos é reduzida ao nosso trabalho árduo, à performance de nossos filhos ou à reputação da família, torna-se bem difícil reagir com altruísmo e fidelidade diante do erro de um filho.

As oportunidades dadas por Deus para ministrar transformam-se em confrontação irada e repleta de palavras de julgamento. Ao invés de conduzir mais uma vez nosso filho carente para Cristo, nós iremos castigá-lo com duras palavras. Ao invés de amá-lo, iremos rejeitá-lo. Ao invés de falar palavras de esperança, nós iremos condená-lo. Nossos sentimentos ficarão inundados cada vez mais por nossa própria vergonha, ira e dor ao invés de tristeza sobre a situação de nosso filho diante de Deus.

Quero pedir a você que seja honesto hoje. Examine seu coração. Você tem uma atitude de posse? Será que você está sutilmente governado pela sua reputação? Você está oprimido pela preocupação com aquilo que os outros podem pensar de você e de seu filho? Essas perguntas – não, deixe-me refrasear isso – esses ídolos precisam ser confrontados se quisermos ser os pais que Deus nos chamou para ser.

Então, seja honesto. Confesse suas áreas de idolatria na criação de filhos. Encha-se, porém, de esperança porque Cristo morreu para quebrar a cerviz da nossa idolatria centrada em nós mesmos. Deus quer que tenhamos um coração puro. Seu objetivo é que nossa vida seja moldada por nossa adoração exclusiva a Ele. E, preste atenção nisso: ao mesmo tempo que Deus está trabalhando em seu coração, Ele o enviou para ser Seu embaixador no coração de seu filho.

Tradução: Alexandre Mendes – Original: The Idol of Success
Visite: conselhobiblico.com

Como encorajar o meu pastor? | Brian Croft

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Baseado nos e-mails, mensagens e telefonemas que costumo receber, acredite: o seu pastor precisa de encorajamento. Ele precisa saber que o que ele faz semanalmente significa alguma coisa para Deus e para aqueles por quem ele trabalha. Aqui vão cinco sugestões para fazer isso:

1) Mostre apreciação pelo trabalho duro que ele realiza

Talvez as palavras que mais machucam um pastor e sua esposa não são “sermão ruim”, “essa foi uma decisão idiota” ou “eu não gosto da forma como você faz isso”. Em vez disso, o que mais machuca são palavras que implicam o seguinte: “você é preguiçoso”. Por causa disso, o que realmente encoraja um pastor e sua esposa é ouvir palavras de agradecimento pelo trabalho duro de pregar e pastorear as almas sob sua responsabilidade.

2) Faça comentários específicos sobre o sermão

Não estou falando sobre dar tapinhas em suas costas e dizer “bom sermão”. Em vez disso, seja específico: “essa explicação me ajudou muito” ou “essa aplicação foi em cima das minhas dificuldades”. Não subestime o quão impactante um comentário específico e pensado pode ser para o seu pastor, especialmente na segunda-feira.

3) Reconheça o sacrifício de sua família

Além de encorajar sua esposa e suas crianças, vai ser muito significativo para o pastor. O fato de ele saber que você está pensando em sua família, às vezes, vale mais do que ele saber que você pensa nele. Um dos encorajamentos mais importantes para mim foi minha esposa e meus filhos serem agradecidos pelo sacrifício em me permitirem fazer o que faço. Meus filhos, especialmente, sempre se lembram dessas coisas.

4) Revele o quanto o seu ministério tem crescido sob o ministério dele

Isso é algo que um pastor gosta de ouvir e deseja que esteja acontecendo com todos em sua congregação. Pare de deixá-lo no suspense e fale para ele. O Senhor pode usar essas palavras para ajudá-lo a perceber o que ele precisa mudar ou ajustar a forma que ele prega e cuida das pessoas.

5) Diga a ele como você ora por ele

O seu pastor, mais do que todas as pessoas, sabe o significado da oração. As coisas mais relevantes que eu já ouvi não foram “eu orei por você”, mas “orei para que o sermão fosse pregado poderosamente e avidamente recebido” ou “orei para que Deus proteja você e sua família do inimigo durante essa semana importante”. Escreva hoje um e-mail ou uma mensagem para o seu pastor e diga que você tem orado por ele ou fale sobre o quê você estará orando por ele durante a semana.

Se não for dessas formas, ache uma maneira de encorajar o seu pastor nessa semana. Nunca subestime o quão importante e bem-vindo isso pode ser, quando Deus o dirige a fazer isso… especialmente na Segunda!

Traduzido por Victor Bimbato | Reforma21.org | Original aqui

Cristão, você está pronto para a Segunda Fase do Exílio? | Stephen McAlpine

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A igreja ocidental está prestes a entrar na Segunda Fase do seu exílio da praça pública e da cultura em geral. E não serão tempos fáceis.

Caso você não tenha notado, a Primeira Fase do Exílio começou há algumas décadas, florescendo na revolução sexual dos anos 60 antes de ganhar força uns vinte anos atrás. Finalmente, alguns cristãos se reuniram para abordar o assunto há mais ou menos quinze anos – e isso gerou uma movimentação, assim como várias publicações.

Para aqueles no ministério que, como eu, observam a cultura em geral, a Primeira Fase do Exílio foi uma época intoxicante. Porém, nós nunca a chamamos de Primeira Fase do Exílio. Simplesmente a chamamos de “Exílio”, e nos debruçamos sobre textos bíblicos como o livro exílico de Daniel e 1 Pedro, sua contrapartida neotestamentária. Afinal, ninguém jamais chamou a Primeira Guerra Mundial de “Primeira Guerra Mundial” antes de surgir a Segunda Guerra Mundial, não é? Ela era conhecida simplesmente como a Grande Guerra. Assim também é com o exílio. Cafeterias foram dominadas para conversas matinais entre líderes exílicos em ascensão, os bares foram usados como uma igreja exílica, Macbooks foram comprados aos montes e pioneiros emergentes/missionais estabeleceram a qualidade do café como um marcador de uma fronteira espiritual com um zelo que levaria um adepto do Judaísmo do Segundo Templo às lágrimas pelo reconhecimento.

Na Primeira Fase do Exílio, a narrativa predominante era que a igreja Cristã estava sendo marginalizada, que a Cristandade acabou; a igreja precisava bolar novas estratégias; tirar tudo que não fosse essencial, tudo com o objetivo de reconectar Jesus ao mundo perdido. Éramos todos adeptos do ad fontes, uma segunda Reforma se voltando para a fonte Eclesiástica – esperamos que estivessem usando a Bíblia – ou no mínimo os Pais da Igreja Primitiva, ou no mínimo um monte de velas(calma aí – diz o sarcástico).

O maior problema da igreja, de acordo com o pensamento da Primeira Fase do Exílio, é que mais ninguém estava falando da gente. E como Oscar Wilde ironicamente observou, a única coisa pior do que alguém falar sobre você é quando ninguém fala sobre você. Então, na Primeira Fase do Exílio as conferências e as conversas em destaque estavam ocupadas falando sobre como era não ser o alvo das conversas dos outros. Fomos marginalizados; deixados do lado de fora das salas interessantes; fomos abandonados à velocidade de nós por hora; descartados. Somente algumas poucas pessoas perceptivas viram isso acontecendo. Quantas? Bem, provavelmente não mais que as que estão neste salão conosco, e talvez alguns outros que se encontram um domingo a cada três ou quatro semanas numa igreja reunida em um bar.

Aliás, inclusive, todos que estavam citando Lesslie Newbigin, ou pelo menos a única fala que eles conheciam a respeito da congregação ser a hermenêutica do Evangelho ou algo do tipo. Todos estavam discutindo o que queria dizer ter convicções cristãs, mas ser pós-fundamentalista. A Cristandade estava caindo, e isso é bom, dadas as diversas lutas e cruzadas e tudo de ruim que os sacerdotes fizeram, certo? Não estávamos fartos de sermos meros capelães para a cultura? Hora de nos atualizarmos. Hora de sermos a igreja orgânica/integral/do outro lado/radical. Para aqueles que aderiram à Primeira Fase do Exílio, havia uma alegria pela queda da Cristandade. E se ela estivesse sobrevivendo em algumas áreas da América do Norte, e daí? Quem é que quer ser um “batistão” mesmo, uma vez que uísque single malt e um bom charuto são tão deliciosos, e tudo mais?

Estou sendo um pouco jocoso, sei disso, e de certa forma tenho o direito para tanto. Me envolvi nesse processo da Primeira Fase do Exílio e isso tem informado boa parte da minha forma de pensar, e isso não mudará. Eu também conheci pessoas incríveis, pensadores criativos e teólogos que merecem ser ouvidos e lidos.

Mas aqui está o problema. A forma de pensar da Primeira Fase do Exílio tem feito com que o Cristão esteja completamente despreparado para a realidade da Segunda Fase. Houve uma série de suposições feitas pelos pensadores da Primeira Fase que não se alinharam com aquilo que vai resultar das próximas três ou mais décadas, de acordo com o exemplo dos últimos cinco anos. Deixe-me mapear algumas dessas suposições errôneas:

1. Supomos Atenas, não Babilônia

Para toda a conversa sobre exílio, a linguagem de Atenas, e a necessidade de achar uma voz numa cultura de ideias que competem entre si, era bem mais predominante que a linguagem da verdadeira cidade de exílio, Babilônia. Nós explorávamos maneiras de lidar com o desinteresse da cultura por nós, e não o seu desprezo. Lembro bem de ter dito “As pessoas não estão passando pela sua igreja e dizendo ‘Se eu nunca fora a uma igreja, é nesta que nunca entrarei.’ Não, eles não a enxergam de maneira alguma.” Esse é o discurso de Atenas, e supõe que se ao menos conseguirmos mostrar um ponto de encontro com a cultura, então a conversa fluirá e nos entenderemos.

Eu mudei minha ideia nesse ponto. Se os últimos cinco ou seis anos servem como indicador, a cultura (leia-se: a estrutura de elite que guia a cultura) está cada vez mais interessada em trazer a igreja de volta à praça pública. Sim, você ouviu direito. Mas não para dar-lhe ouvidos, e sim, para esfolá-la, expor seus reais e supostos abusos e deixá-la nua e trêmula ante a uma multidão ensandecida e escarnecedora. É Sadraque, Mesaque e Abede-Nego de pé perante a estátua de ouro, enquanto todos à sua volta estão submetendo-se e dizendo “Pssst, curvem-se, pelo amor de Deus!” São oficiais conspirando com o rei para mostrar que o fato de Daniel orar em direção a Jerusalém três vezes ao dia não é simplesmente uma esperança arcaica e tola, mas uma real ameaça à estrutura da sociedade e à nova ordem moral que a manterá de pé.

“Se os últimos cinco ou seis anos servem como indicador, a cultura (leia-se: a estrutura de elite que guia a cultura) está cada vez mais interessada em trazer a igreja de volta à praça pública. Sim, você ouviu direito. Mas não para dar-lhe ouvidos, e sim, para esfolá-la, expor seus reais e supostos abusos e deixá-la nua e trêmula ante a uma multidão ensandecida e escarnecedora.”

Se a principal característica da Primeira Fase do Exílio era para ser a humildade, a principal característica da Segunda Fase do Exílio tem que ser a coragem. Coragem não significa pronunciamentos bombásticos para o mundo, de maneira alguma. Ela tem que ser muita mais profunda que isso. Significa que, ao ouvirmos a ordem do rei de que ninguém deverá orar a deus algum salvo o rei por trinta dias, que nós entremos nos nossos quartos com a janela aberta em direção a Jerusalém e desafiemos esse rei mesmo enquanto nossos acusadores nos caçam. Significa olhar na cara desse rei irado dizendo que mesmo que nosso Deus não nos resgate das chamas, nós não serviremos aos seus deuses ou nos curvaremos ante a sua estátua de ouro. Diferente de Atenas, a Babilônia não tem interesse em nos superar com argumentos sagazes, mas simplesmente nos derrotar. Apologética e novas maneiras de se praticar igreja não serão suficientes na Babilônia. Somente a coragem sob fogo servirá.

2. Pressupomos uma cultura neutra, não um mundo hostil

Quantas conferências/artigos/livros surgiram nos últimos anos lidando com o conceito de cultura? Quantas vezes ouvimos que o papel do cristão exilado é fazer uma diferença na cultura? De que seja envolvido numa igreja ou não, a verdadeira mudança do Reino haveria de acontecer na cultura? Busque no Google as palavras “cultura” e “Cristão”. Dê uma olhada.

Enquanto eu admiro diversos desses trabalhos e devo muito a observadores culturais excepcionalmente dotados, foi Scott McKnight, sempre impressionante, que soou a trombeta no seu último livro Kingdom Conspiracy; Returning to the Radical Mission of the Local Church (“Conspiração do Reino: Retornando à radical missão da igreja local”, livremente traduzido, sem versão publicada em português). Ele acerta na mosca ao apontar a ingenuidade do que ele chama de “o povo do jeans skinny” quanto à natureza da cultura ao redor. Ele diz:

“Nossos esforços de transformação da cultura não só obtiveram pouco resultado (exceto no papel), mas esta palavra ‘cultura’ parece ter substituído na Bíblia a palavra ‘mundo’ (ênfase minha). Dito mais explicitamente, basta jogar uma água batismal no ‘mundo’ e nós agora podemos chamá-lo de ‘cultura’. Nesse sentido, ‘cultura’ se torna os elementos redimidos do mundo, mas isentos de suas conotações de mundo. Por quê dizer isso? Porque a palavra ‘mundo’ não soa nada bem no Novo Testamento.” (p.16)

Ele segue listando uma série de textos do evangelho de João em que o mundo está ligado a outras palavras. Palavras como “trevas”, “abaixo”, “ódio” e por aí vai. McKnight segue com o ponto de que Jesus não veio para tornar o mundo um lugar melhor, e sim redimir pessoas para fora dele, e que tentar fazer do mundo um lugar melhor é, de fato, “uma espécie de mundanismo”.

Agora, eu reconheço que toda esse linguagem de um ou outro em relação a “mundanismo” é anátema para muitos de nós que cresceram numa fé fundamentalista que tentou nos impedir de engajar o mundo – especialmente aqueles que, como eu, eram criativos, porque as “artes” não eram apenas “as artes”, e sim as “artes negras” na terra dos fundamentalistas. Lembro bem de ter dito para a minha avó do norte da Irlanda – chamados de irmãos a meia voz – que eu queria ser um jornalista quando crescesse. “Mas por que você quer fazer algo tão mundano?” ela perguntou, antes de me oferecer bolo demais e uma xícara de chá fraco.

Muitos de nós, desgastados pelas cicatrizes das guerras fundamentalistas e do pensamento coletivo contido, impulsionamos o pensamento da Primeira Fase do Exílio justamente para fugir dessa falsa dicotomia. Mas o neném do McKnight não deve ser jogado fora com a água do batismo. A criação é boa, mas foi corrompida; ela retrata um grande Deus, mas é o palco para toda sorte de depravação impiedosa. McKnight cita o saudoso e tragicamente mundano teólogo John Howard Yodder que chamava o mundo de “descrença estruturada, levando consigo um fragmento do que deveria ser a Ordem do Reino”.

E então, qual é a questão? Se pressupomos uma cultura neutra, supomos que podemos nos envolver com ela e brincar com a cultura sem sermos infectados por ela; que nós somos capazes de nos mantermos distintos dela, sem sermos compelidos pelas partes mais doentias e mais que capazes de saber quando dizer não para o seu clamor de aceno sedutor e foco branco que diz “Junte-se a nós! Junte-se a nós!”.(Game of Thrones, alguém? Netflix, sarcástico)

Simplesmente, presumimos que nós podemos ter mais impacto na cultura que ela pode ter sobre nós. Esse é um pensamento perigosamente ingênuo. Jesus nunca disse que a cultura não nos entenderá, ele disse que o mundo nos odiará. Ele não disse aos seus discípulos, “Sejam destemidamente despreocupados e vão e transformem a cultura”, ele disse “tenham ânimo! Eu venci o mundo.” (João 16.33)

“… presumimos que nós podemos ter mais impacto na cultura que ela pode ter sobre nós. Esse é um pensamento perigosamente ingênuo. Jesus nunca disse que a cultura não nos entenderá, ele disse que o mundo nos odiará.”

Como tenho visto isso se desenvolver nos últimos dez anos? Tragicamente, de várias maneiras. Enquanto algum bem surgiu disso, eu vi um número excessivo de evangélicos desgastados que estão fartos da onda de brigas entre fundamentalistas dizendo que temos que voltar às fontes do Evangelho pelo bem da cultura, até uma reinterpretação do Evangelho que se amolde ao mundo. Eu tenho assistido a todo uma onda que começou como uma série de perguntas que foi iniciada com “E se nós mudássemos a nossa perspectiva em relação a como enxergamos esta questão tradicional?” até “Deus realmente disse?”. E por mais que me doa dizer, o Evangelho da Sexualidade do Pós-Evangelicalismo simplesmente tomou o lugar do crescente Evangelho da Prosperidade que idolatra o conforto que a experiência oferece, em vez do conforto que o dinheiro traz.

O resultado? Cada vez mais a Primeira Fase do Exílio sai de cena. O Pós-Evangelicalismo/Pós-Fundamentalismo levou pessoas demais em direção ao Pós-Cristianismo, fornecendo um pouso seguro para aqueles que quiseram pular do avião, mas que tinham medo de altura. Eu direi mais a respeito disso num outro post, mas esse é o mesmo resumo disso.

3. Afrouxamos a nossa linguagem justamente quando as elites culturais afiaram a sua

Há um livro inteiro a respeito disso, mas por hora basta dizer que muitos dos proponentes da Primeira Fase do Exílio estavam ocupados soltando os parafusos das rodas da sua linguagem justamente enquanto a estrutura cultural estava afiando a sua. E não há prêmio para quem adivinhar quem perdeu as suas rodas! Para usar outra metáfora, se falharmos em apreciar e usar a linguagem da nossa aljava, então alguém vai saqueá-la e usá-la contra nós. Cultivamos uma meia geração de literatura cristã completamente segura da sua incerteza no que se refere às terminologias. Enquanto isso, a estrutura cultural está cada vez mais certa das suas terminologias.

Um ótimo exemplo se refere às questões de ética pública. Uma igreja que afrouxou toda a sua linguagem com o intuito de alcançar a cultura – descartando as categorias que lhes foram dadas pela teologia testada pelo tempo – está de repente encontrando suas próprias terminologias e formas de pensamentos usadas contra ela, e ela está incerta sobre como responder. Agora, quando falamos de ética sexual, não é somente uma questão de que o Cristianismo tem perspectivas “estranhas” ou “esquisitas” ou até “interessantes”, mas em vez disso são “erradas”, “ruins”, “obscuras”, até posturas “pecaminosas”. Leia as páginas de opinião.

O campo semântico de “herege” irá cada vez mais vir à tona na Segunda Fase do Exílio ao descrever o Cristianismo tradicional. Agora, não estou dizendo que é o papel da igreja admoestar a cultura, não é, porque o principal e crítico lugar onde a igreja afrouxou os parafusos da linguagem foi justamente dentro da igreja! Os proponentes da Primeira Fase do Exílio frequentemente criticavam as Megaigrejas sedentas por crescimento explosivo pelo seu abandono da linguagem teológica para alcançar uma cultura indiferente e consumista. Mas a sua crítica não chegava a pegar do chão essa linguagem, tirar a poeira dela e usá-la novamente. Se fizeram alguma coisa, foi agravar o erro desses megalomaníacos de deslocar a linguagem teológica ao desconfiar da linguagem teológica (o novo público Reformado é uma exceção). Sucatear as categorias da linguagem foi um erro crucial. Se o nosso Deus é um Deus que fala, então a linguagem é profundamente teológica e profundamente moral. Não é mero brinquedo deixar isso de lado quando perde a graça. Nós a usamos ou a perdemos – para outros.

Agora, essa perda vai lhe surpreender se a sua categoria de cidade for Atenas, mas não se for Babilônia. Ouça o que Pedro diz às comunidades exílicas espalhadas pelo Império Romano:

“Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma. Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção.” (1 Pedro 2.11,12)

O Império Romano via os cristãos primitivos como ruins. Pense nisso. Por décadas na Austrália, os cristãos eram tidos de maneira pejorativa como os “certinhos”. Na Segunda Fase do Exílio a forma pejorativa é os “erradinhos”.

Este é o mesmo Pedro que, aliás, pode dizer no próximo versículo “sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens, seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes…” Isso não é para os fracos de coração. Precisamos estar aptos para navegar por campos minados da linguagem sem perder as pernas. E isso vai requerer trabalho árduo. Declarações raivosas – a ira dos culturalmente impotentes – não é uma opção, tampouco é a entrega das nossas categorias de pensamento e linguagem para a cultura. Precisamos aprender a verdade ao poder, assim como fui ensinando na minha formação em Artes nos anos 80, mas dessa vez os papéis foram invertidos. O que era marginal nas universidades dos anos 80 agora é a linguagem política geral comum do século XXI.

Ontem mesmo eu observei uma discussão nas mídias sociais em que um secularista convicto estava mais que feliz de usar categorias de pensamento como “de dentro/de fora”, “pecador/santo”, “heresia/verdade”, “deus/diabo” ao defender a sua posição. Ao se deparar com a falta de linguagem própria para descrever a sua anátema da posição cristã, ele simplesmente disse “Não dê a mínima para mim!”, inclinou-se até o nosso lado e tomou a nossa! E aqui estamos tendo o maior cuidado para que ninguém seja excluído pela nossa linguagem.

Uma linguagem pessoal, pietista, que diz “Jesus é meu brother” com uma teologia leve não se sustenta face a uma reformulação pública de linguagem. Os proponentes da Primeira Fase do Exílio têm que resgatar o arsenal, sacar o amolador e afiar as ferramentas da linguagem novamente, não para matar pessoas, mas para “batalhar pela fé uma vez por todas confiada aos santos” (Judas 1.3).

E o que Judas segue dizendo? Ele usa a linguagem e as terminologias que até no uso privado nos envergonha, e que provavelmente não são para o público em geral:

“Todavia, amados, lembrem-se do que foi predito pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. Eles diziam a vocês: ‘Nos últimos tempos haverá zombadores que seguirão os seus próprios desejos ímpios’. Estes são os que causam divisões entre vocês, os quais seguem a tendência da sua própria alma e não têm o Espírito. Edifiquem-se, porém, amados, na santíssima fé que vocês têm, orando no Espírito Santo. Mantenham-se no amor de Deus, enquanto esperam que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo os leve para a vida eterna. Tenham compaixão daqueles que duvidam; a outros, salvem-nos, arrebatando-os do fogo; a outros ainda, mostrem misericórdia com temor, odiando até a roupa contaminada pela carne.” (Judas 1.17-23)

(Aliás, não há nada aqui referente a protestos na frente do parlamento).

A carta de Judas é linguagem exílica verdadeira, sem filtros. Ela é sem filtros justamente porque seus leitores nunca haviam experimentado o desinteresse suave da Primeira Fase do Exílio trazido à tona pelo eclipse da Cristandade. Eles foram odiados a partir do momento em que Jesus foi pregado no madeiro, mas continuaram lutando pela fé e pela vivência piedosa nas suas comunidades e o amor a Deus e ao próximo apesar de tudo.

É isso que devemos resgatar. Os exilados da Segunda Fase não colocam a sua esperança numa cidade aqui, seja Atenas ou Babilônia, mas numa cidade que está por vir (Hebreus 13). Os exilados da Segunda Fase não precisam de aprovação da cultura, muito menos provocam a cultura para se sentirem bem sobre si mesmos. Não, os verdadeiros exilados são capazes de viver seu tempo com confiança, amor e esperança porque eles confiam naquele “que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria” (Judas 1.24).

Cristão, a Segunda Fase do Exílio está vindo. Você está pronto?

Stephen McAlpine é pastor e plantador da Providence Church em Perth, Austrália. Ele é formado em jornalismo e teologia e escreve um blog sobre questões referentes a cultura e plantação de igrejas no oeste da Austrália. Você pode acompanhar seus escritos pelo seu blog: http://stephenmcalpine.com/ 

Visite: http://www.editoraannodomini.com.br/

25 Marcas de um Cristão Desviado | Joe Thorn

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Eu não ouço falar muito sobre o perigo do “desvio” hoje em dia. Parece que isso é algo com que meus amigos e eu nos preocupávamos 20 anos atrás. Nós falávamos sobre isso, orávamos contra isso, e procurávamos manter Jesus sempre diante de nós como nossa grande esperança e satisfação. A preocupação não era com cair totalmente fora do mapa espiritual, negando Jesus e mergulhando em pecados escandalosos, mas nós sabíamos que de fato temos corações que são, como o hino diz, “inclinados a se desviar”. E eu não sou melhor hoje do que era naquele tempo.

Se há uma consideração particularmente humilhante para um crente com uma mente espiritual, é que, depois de tudo o que Deus fez por ele – depois de todas as ricas demonstrações de sua graça, a paciência e ternura de suas instruções, a repetida disciplina de sua aliança, os emblemas de amor recebidos, e as lições da experiência aprendidas –, ainda existe no coração um princípio, uma tendência para um secreto, perpétuo e alarmante afastamento de Deus.”
– Octavius Winslow, 
Personal Declension

Mas mesmo que reconheçamos que permanecemos pecadores e que podemos nos encontrar em um perigoso estado espiritual, acaso sabemos como se parece esse estado? Não estou bem certo disso. Alguns o assemelham a um fracasso público, e isso os deixa pensando que estão seguros quando, na verdade, podem estar em um caminho muito ruim. No clássico Vital Godliness (Piedade Vital), William Plumer diz: “Muitos são impedidos de vencer seus desvios porque são misericordiosamente guardados de pecados abertos. Se eles tivessem publicamente caído em manifesta iniquidade, eles ficariam vermelhos de vergonha; eles lamentariam sua perversidade diante de Deus e dos homens. Mas, por enquanto, é tudo segredo. Eles são meramente desviados no coração”.

Como se Parece o Desvio?

No seu livro, Revival (Avivamento), Richard Owen Roberts apresenta 25 evidências de uma condição desviada. Ele elabora cada uma delas, mas eu vou apenas dar-lhe os pontos aqui. Considere-os seriamente.

1. Quando a oração deixa de ser uma parte vital de uma vida cristã professa, o desvio está presente.

2. Quando a busca pela verdade bíblica cessa e a pessoa se torna contente com o conhecimento de coisas eternas já adquirido, não pode haver dúvida quanto à presença do desvio.

3. Quando o conhecimento bíblico possuído ou adquirido é tratado como um fato externo e não aplicado internamente, o desvio está presente.

4. Quando pensamentos ardentes sobre as coisas eternas deixam de ser regulares e consumidores, isso deveria ser como um sinal de alerta para o desviado.

5. Quando os cultos da igreja perdem seu deleite, uma condição de desvio provavelmente existe.

6. Quando discussões espirituais profundas são um constrangimento, há certamente uma evidência de desvio.

7. Quando os esportes, a recreação e o entretenimento são uma parte grande e necessária de seu estilo de vida, você pode concluir que está ocorrendo um desvio.

8. Quando os pecados do corpo e da mente podem ser praticados sem uma revolta na sua consciência, a sua condição de desviado é certa.

9. Quando as aspirações por uma santidade semelhante à de Cristo param de dominar sua vida e seu pensamento, o desvio está ali.

10. Quando a aquisição de dinheiro e bens materiais se torna uma parte dominante de seu pensamento, você tem uma clara confirmação de desvio.

11. Quando você pode pronunciar canções e palavras religiosas sem o coração, tenha certeza de que o desvio está presente.

12. Quando você pode ouvir o nome do Senhor ser tomado em vão, questões espirituais ridicularizadas e questões eternas tratadas de forma frívola, sem ser levado à indignação e ação, você está desviado.

13. Quando você pode assistir a filmes e programações de televisão degradantes e ler literaturas moralmente debilitantes, você pode estar seguro de seu desvio.

14. Quando quebras de paz na irmandade não são motivo de preocupação para você, isso é uma prova de desvio.

15. Quando a menor desculpa parece suficiente para afastar você do dever e da oportunidade espiritual, você está desviado.

16. Quando você fica satisfeito com sua falta de poder espiritual e não mais busca repetidos revestimentos de poder do alto, você está desviado.

17. Quando você desculpa seu próprio pecado e preguiça dizendo que o Senhor entende e lembra que somos pó, você revela sua condição de desviado.

18. Quando não há mais música em sua alma e em seu coração, o silêncio testifica de seu desvio.

19. Quando você se ajusta alegremente ao estilo de vida do mundo, seu próprio espelho vai lhe dizer a verdade sobre seu desvio.

20. Quando a injustiça e a miséria humana existem ao seu redor e você não faz nada para aliviar o sofrimento, fique certo de seu desvio.

21. Quando a sua igreja caiu em declínio espiritual e a Palavra de Deus não é mais pregada ali com poder e você permanece satisfeito, você está em uma condição de desviado.

22. Quando a condição espiritual do mundo declina ao seu redor e você não consegue percebê-lo, isso é testemunho da sua situação de desvio.

23. Quando você está disposto a enganar seu empregador, o desvio é patente.

24. Quando você se acha rico em graça e misericórdia e se maravilha com sua própria piedade, então você caiu profundamente em desvio.

25. Quando suas lágrimas estão secas e a realidade espiritual dura e fria de sua existência não é suficiente para fazê-las rolar, veja isso como um terrível testemunho da dureza de seu coração e da profundidade de seu desvio.

(extraído de Revival [Avivamento], Richard Owen Roberts)

Você pode querer discutir algumas das “evidências” listadas acima, mas antes disso considere-as cuidadosamente para não deixar de identificar um real problema em sua vida. E se você descobrir que algumas dessas coisas são verdadeiras sobre você? Amanhã vou postar alguns pensamentos sobre voltar para o Senhor.

Por: Joe Thorn. Website: joethorn.net © 2012. All Rights Reserved. Original: 25 Marks of a Backslidden Christian.

Tradução: www.voltemosaoevangelho.com. Original: Joe Thorn – 25 Marcas de um Cristão Desviado

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