O Engano do Teu Coração | Jonathan Edwards

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos, vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno (Salmos 139.23,24).

“Nosso problema em reconhecer se há em nós algum caminho mau não é por falta da luz externa. Certamente Deus não falhou em nos dizer clara e abundantemente quais são os maus caminhos. Ele nos deu mandamentos mais do que suficientes que mostram o que deveríamos e o que não deveríamos fazer; e eles estão claramente colocados diante de nós na sua Palavra. Então, nossa dificuldade em conhecer nosso próprio coração não é pelo fato de nos faltarem normas adequadas.

Como é possível as pessoas viverem de maneira que desagradam a Deus – e no entanto parecerem completamente insensíveis a isso e seguirem em frente totalmente esquecidas de seus pecados? ” […]

Ouça a pregação completa, no vídeo abaixo:

Confissão de Pecado! – C. H. Spurgeon – Sermão n° 113

“Meu sermão esta manhã terá sete textos e minha pregação será centrada em apenas duas palavras de cada um, porque os sete textos são todos semelhantes e ocorrem em sete porções diferentes da santa Palavra de Deus. Porém, eu usarei o contexto de todos eles para exemplificar casos diferentes; e peço a vocês que trouxeram suas Bíblias que os acompanhem a medida que forem mencionados.

O tema desta manhã será – CONFISSÃO DE PECADO. Nós sabemos que isto é absolutamente necessário à salvação. A menos que haja uma verdadeira e sincera confissão de nossos pecados a Deus, não temos nenhuma promessa que nós acharemos clemência no sangue do Redentor. “Todo aquele que confessar seus pecados e os abandonar achará misericórdia” . Mas não há nenhuma promessa na Bíblia para o homem que não confessar seus pecados .

Há muitos que fazem uma confissão, e uma confissão diante de Deus, e não recebem nenhuma bênção, porque a confissão deles não tem certas marcas que são requeridas por Deus, que provariam sua genuinidade e sinceridade e que demonstrariam terem sido fruto do trabalho do Espírito Santo.

Meu texto esta manhã consiste em duas palavras: “eu pequei”. E você verá como estas palavras, nos lábios de homens diferentes, indicam sentimentos muito diferentes. Enquanto uma pessoa diz “eu pequei” e recebe perdão, outro diz o mesmo, porém segue seu caminho para se enegrecer com pecados piores que antes e mergulha em profundezas maiores de pecado do que antes ele tinha experimentado.”

 

Os Puritanos (1)

Os puritanos ingleses foram ministros na Igreja da Inglaterra que tentaram produzir uma  reforma na Igreja nacional.  Os puritanos constituíam sempre uma minoria, a qual nunca excedeu 20%. Não foram bem-sucedidos na sua tentativa de reformar a Igreja.  Contudo, eles exerceram um estilo de oração e pregação que teve grande influência na nação.  Nos seus escritos encontramos os melhores recursos da literatura expositiva cristã jamais disponíveis na história da Igreja Cristã no mundo.  Desde a década dos anos 1960, o valor dos livros puritanos tem sido redescoberto nos países de língua inglesa.  Subsequentemente, certos títulos excelentes têm sido traduzidos para outras línguas.  Os puritanos ingleses, como pastores e pregadores, foram mais fortes onde nós somos mais fracos hoje.  Esta série irá relatar a história de como os puritanos ingleses vieram a existir.  Irá descrever as vidas de puritanos proeminentes. Certos assuntos relevantes em que foram mestres serão expostos para o nosso proveito.

A História dos Puritanos

Em sua “Abreviada História do Povo Inglês”, J.R. Green declarou: “Nenhuma mudança moral jamais aconteceu numa nação como ocorreu na Inglaterra durante os anos entre a metade do reinado de Elizabeth e o encontro do Longo Parlamento (1640-1660). A Inglaterra se tornou o povo de um livro, e este livro era a Bíblia”.[1]

Isso pode soar exagerado, mas podemos ter certeza de que Green quis dizer que os Puritanos eventualmente exerceram uma influência espiritual totalmente desproporcional ao seu pequeno número, pois sempre eram minoria. Isso ajudará a ver a história em perspectiva se nos lembrarmos de que a população da Inglaterra em 1500 era de cerca de dois milhões e por volta de 1600 havia crescido para aproximadamente quatro milhões. Em relação à religião, apesar da obrigatoriedade de se frequentar a igreja, é duvidoso afirmar que mais do que um quarto da população da Inglaterra durante este período tinha qualquer religião. É interessante observar que, na atualidade, a população da Inglaterra é de cerca 48 milhões e o país é dividido em 13.000 paróquias com 10.000 clérigos, 8.000 assalariados. Esta observação geral precisa ser lembrada, não somente pelo período em questão, porém muito mais em relação aos tempos atuais, quando aqueles que professam e praticam a fé cristã constituem provavelmente menos de 10 por cento da população. Ralph Josselin, em sua paróquia em Essex não celebrou sua Ceia do Senhor por nove anos e quando ele o fez, em 1651, apenas trinta e quatro pessoas foram qualificadas para participar. Josselin falou de três categorias de paroquianos: primeiro, aqueles que raramente ouvem a pregação; segundo, aqueles que são “ouvintes sonolentos”; e terceiro, “nossa sociedade” um pequeno grupo de pessoas piedosas.

A religião nominal sempre tem caracterizado a grande maioria dos Anglicanos. Era assim naquela época tanto quanto agora. Por volta de 1600, o número de ministros puritanos havia crescido cerca de dez por cento, ou seja, em torno de 800 dos 8.000 clérigos da igreja da Inglaterra. Por volta de 1660, esta proporção cresceu aproximadamente vinte e cinco por cento. Entre 1660 e 1662 cerca de 2.000 foram expulsos da Igreja Nacional da Inglaterra.

Antes da Reforma, a igreja da Inglaterra era católico-romana. Em características, era uma coleção de práticas, hábitos e atitudes ao invés de um corpo de doutrinas intelectualmente coerentes. A protestantização da Inglaterra foi essencialmente gradual, ocorrendo vagarosamente durante o reinado de Elizabeth “um pouco aqui, um pouco ali”, e de forma muito fragmentada. A partir de 1600, o crescimento começou a acelerar-se. Na época do rompimento de Henrique VIII com Roma, a Inglaterra era totalmente católico-romana. Por volta de 1642, estima-se que não mais de dois por cento eram católicos, embora dez por cento da aristocracia ainda o fosse.

Por todo o período que desejo destacar a Inglaterra era uma sociedade monolítica. Todos eram obrigados a conformarem-se à Igreja da Inglaterra. Isso gerou os “recusantes”, aqueles que, por causa de suas convicções puritanas ou pela lealdade à igreja católica romana, recusaram-se a frequentar os cultos da Igreja da Inglaterra. De 1570 a 1791 isso era sujeito a penalidades que envolviam muitas desvantagens civis. Os recusantes passaram a aquietar-se para se livrarem dos problemas. Foi durante o período de 1640 a 1660 que surgiram as denominações cristas: Presbiterianas, Congregacionais, Batistas e Quaqueres (todos estes juntos representando cerca de cinco por cento da população apenas). O Ato de Tolerância de 1689 marcou o fim da alegação da Igreja da Inglaterra se ser a única Igreja inclusiva do povo inglês, embora continuasse a ser a Igreja estabelecida pela lei.


[1] J.R. Green, Short Story of the English People

Fonte: Quem foram os Puritanos, Erroll Hulse – PES, 2004