[Audiobook] Chaves para o Crescimento Espiritual | John MacArthur

livro-chaves-crescimento-espiritual_1Quanto mais contemplo a face de Jesus nas páginas das Escrituras, tanto mais eu creio que, se você seguir as orientações apresentadas neste livro, experimentará crescimento espiritual. E compreenderá a plenitude de tudo que Deus pretende fazer em, com e por meio de você!

John MacArthur, com base em sua vasta experiência ministerial, escreve uma admirável exposição de princípios bíblicos que revela, de modo conclusivo, o propósito do homem neste mundo: entender e praticar o mandado bíblico, comprometendo-se totalmente, agora e para sempre, com a glória de Deus.

O autor prepara os leitores para este compromisso integral, centrado em Deus, apresentando-lhe passos específicos, chaves, a fim de ajudá-los a desenvolver e manter o crescimento espiritual radiante.

O objetivo é uma vida que se concentra e se focaliza em Deus, até que a pessoa seja envolvida e cativada pela majestade divina. MacArthur oferece métodos viáveis para compreendermos esse objetivo e abrirmos o cofre de tesouros espirituais, abundantes, em Cristo.

Glorificar a Deus do modo como Ele deseja; utilizar modelos significativos de oração; recompensa divina de esperança e obediência; o caminho cristão do perdão e do amor – todos os princípios básicos que levam ao crescimento espiritual autêntico são chaves que John MacArthur utiliza.

Clique no link, ouça ou faça download do audiobook gratuitamente:

http://www.ministeriofiel.com.br/audiobooks/detalhes/17/Chaves_para_o_Crescimento_Espiritual

A Parábola do Filho Pródigo | Tim Keller

Timothy Keller usa seu estilo filosófico para analisar a mais simples, porém intrigante parábola de Jesus, a “Parábola do Filho Perdido” (Lucas 15: 11-32).

Keller anuncia às pessoas que se referem erroneamente à parábola como “A parábola do filho pródigo”, quando, ao contrário, Jesus não o colocou como o centro dessa narrativa. Pai, irmão mais novo e irmão mais velho são os protagonistas dessa história abrangente, que, segundo o autor, fala de nosso relacionamento com Deus.

Ouça e faça download  dessa pregação completa no link abaixo:

Se Deus é bom, por que Ele permite o sofrimento? (Pregação)

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Para ouvir a pregação clique no link:

Se Deus é bom, por que Ele permite o sofrimento?

Fonte: Igreja Esperança – Igreja Cristã Reformada

Cultos: 10h30 e 18h15
Rua Jaguari, 673, Bonfim – BH
Link da IE no Google Mapas: https://goo.gl/39A2zA

Audiobook | Onde Está Deus Quando as Coisas Vão Mal? | John Blanchard

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Onde está Deus quando os desastres acontecem? Se Deus é amoroso e todo-poderoso, por que Ele não impede o mal e o sofrimento? Muitas pessoas já se perguntaram isso. As lições têm como propósito encarar honestamente o mal e o sofrimento no mundo. Além de responder de forma objetiva aos mais frequentes questionamentos, o autor apresenta de forma clara o que Deus nos revelou sobre Si mesmo e sobre nossa condição humana.

O livro nos mostra também a misericordiosa intervenção de Deus neste mundo através de Seu Filho, a fim de resgatar e restaurar pecadores e um dia acabar com o mal e o sofrimento. Audiolivro “Onde está Deus quando as coisas vão mal?”, do autor John Blanchard, publicado pela Editora Fiel e narrado por Edivânio Silva. Clique no link abaixo, ouça o livro ou faça o download dos capítulos.

http://www.ministeriofiel.com.br/audiobooks/detalhes/20/Onde_Esta_Deus_Quando_as_Coisas_Vao_Mal

Conheça seu Inimigo (2) | Josaías Jr.

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Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,

E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra.

Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.

Mateus 4.5-7

Use e abuse: Os anjos te salvarão

A segunda tentação parece um pouco estranha para alguns, mas imagine a situação de Jesus¹. Ou imagine você nessa situação. Você esteve em um deserto por 40 dias. Você esteve com fome, com sede, cercado por feras, sem qualquer pessoa para conversar. Você passou os dias com calor e as noites com frio. Você esteve indefeso e solitário.

Não é nessa situação que imaginamos o Filho de Deus. Ou qualquer dos filhos de Deus. Ou mesmo qualquer pessoa. Fomos criados para viver em um jardim, entre animais que nos obedeciam e nos respeitavam, acompanhados de um cônjuge, de um Deus, de árvores de todo tipo. Não havia fome, solidão, perigo ou desamparo.

Não é sem motivo que o diabo leva Jesus para um cenário que é oposto ao deserto. Eles vão parar na cidade santa, onde multidões caminham, e não há solidão. Sobem ao topo do templo, o centro da vida política, cultural e religiosa de Israel. O templo era o local onde se cria que Deus habitava, um pequeno retorno ao Éden, com suas representações de animais e árvores². Este sim é o local adequado para os filhos de Deus. Afinal, “está Deus no meio de nós ou não?”, já diziam os judeus no deserto.

Então, o diabo cita o Salmo 91. Ele fala de alguém que sai vitorioso das provações. Alguém que foi salvo porque amava a Deus, que foi posto em “um alto retiro” por conhecer o nome dele. Alguém que não foi abandonado em meio às feras. Deus está com este personagem ou não? É óbvio que sim!

Com isso em mente, imagine essa prova para você. Você está mais acostumado com ela que pensa. Não tenho a menor dúvida de que existem problemas afligindo sua vida. Nesse mundo caído, sempre há problemas. Seja uma doença, falta de namorada, vestibular, relacionamentos, desemprego. Ou então, coisas menos rotineiras, como dúvidas em relação à salvação, respostas de oração, a falta de algum tipo de experiência mais “espiritual”, ou uma igreja que não responde da maneira esperada ao seu ministério. Você se sente só e desamparado às vezes. Está Deus comigo ou não?

Mas eis que surge a solução. Prove Deus. Teste-o! Um anjo aparece pra você e diz: “Suas dúvidas podem acabar. Tudo o que você precisa fazer é _________ e Deus te mostrará que está com você”. Traduzindo para nossa vida: peça uma prova, exija uma evidência, agarre-se a algo – ele deve mostrar o amor por você, não? Ele está entre nós ou não?

O problema é que, biblicamente, essa opção, que parece mostrar tanta fé e piedade é, na verdade, falta de confiança. É abuso, manipulação. Logo após Jesus citar a “palavra que sai da boca de Deus”, o inimigo usa um texto bíblico para fazer seu argumento. Somos semelhantes ao povo de Israel que esperava sinal o tempo todo, ou que pensava que o templo era sinônimo de bênção e proteção – não importa quantos outros deuses eles adoravam juntos de Yahweh. Eles responderiam: o templo está entre nós, logo Deus está entre nós. Manipulação dos benefícios que a aliança trouxe a eles.

Quantas vezes não caímos por tentar manipular a Deus fazendo o mesmo? Como o crente que lança maldições sobre desafetos no trabalho por achar-se numa posição superior após ler “amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem” (Gn 12.3). Ou o irmão que espera prosperidade em resposta ao seu dízimo (Ml 3.10). Como aqueles que leem Hebreus 11 até o começo do verso 35, consideram-se “heróis da fé” e ignoram o que vem depois.

Para os reformados e evangélicos, em especial, o maior perigo é o abuso da graça. É testar Deus por meio de pecados, pecados e pecados acreditando que a graça significa apenas perdão e não regeneração, santificação e glorificação. Deus está comigo, de qualquer forma, de qualquer jeito, porque ele prometeu.

É curioso que o salmo citado por Satanás é o Salmo 91, um dos mais famosos em nosso país, usado como amuleto em diferentes lares, de diferentes práticas, religiões e tradições. Criticamos essa prática supersticiosa no Brasil, mas podemos ter também nosso “Salmo 91″. Seria o fato de eu ser membro de igreja? A crença no perdão de Deus mesmo para aqueles que não se arrependem? Os cinco pontos ou os cinco solas? O sentimento de euforia após um culto de acampamento? Aquela sensaçãozinha de paz a que me agarro, mesmo vivendo como se Cristo não vivesse em mim? Ou a tola esperança de que num último momento Deus realmente vai mandar os anjos e eu não vou me esborrachar lá embaixo?

A resposta de Jesus contra o inimigo é Deuteronômio 6.16, um texto que faz referência aos incidentes de Massá e Meribá (Êx 17; cf; Sl 95) – quando faltou água no deserto e o povo começou a dizer “está Deus no meio de nós?”. Meribá signfica “rebelião” e Massá significa “provação”. Como fez com Israel, o diabo queria levar Jesus a rebelar-se contra seu Pai, por meio de provas. Novamente, Satanás queria que Jesus se assemelhasse a ele, tornando-se um tentador. Hoje, essa provocação atormenta os filhos de Deus. Às vezes, quando pensamos ser muito piedosos, ao invés de nos assemelharmos a Cristo, podemos estar mais parecidos com aquele que o tentou.

Octavius Winslow nos lembra que, nesse trecho, Satanás disfarça a autodestruição chamando-a de salvação. Nosso coração é enganoso e procura manipular tudo a seu favor. O sinal de piedade que o diabo propôs era certeza de suicídio.

¹ Nesse ponto, em especial, sou devedor a Russell Moore em seu livro Tempted and Tried.
² Para uma tabela que mostra a ligação ente o Éden e o Templo/Tabernáculo, ver God’s Glory in Salvation through Judgment: a Biblical Theology,  de James M. Hamilton. Boas informações também em From  Eden to  the New Jerusalem,  de T. Desmond  Alexander.

Por Josaías Jr. | Reforma 21

9 Fatos que Você Deveria Saber Sobre Edith Schaeffer | Joe Carter

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Edith Schaeffer, a esposa do Rev. Francis Schaeffer (1912-1984) e com ele fundadora do L’abri, agora está com o Senhor. Faleceu em 30 de Março de 2013 em sua casa, na Suíça, cuidada em seus últimos dias por sua filha Debby e seu genro, Udo Middleman.

Eis aqui 9 fatos que você deveria saber sobre a Sra. Schaeffer:

1. Schaeffer nasceu em Wenzhou, China, filha de missionários que estavam servindo na Missão do Interior da China.

2. Além de seu nome inglês, seus pais lhe deram o nome chinês Mei Fuh, que significa “bela alegria”.

3. Em 26 de Junho de 1932, Edith compareceu a uma reunião em sua liberal igreja presbiteriana onde um ministro unitariano fez um discurso sobre “Como eu sei que Jesus não é o Filho de Deus, e como eu sei que a Bíblia não é a Palavra de Deus”. Ela estava preparada para apresentar uma refutação quando um rapaz levantou e disse: “Meu nome é Francis Schaeffer e eu quero dizer que eu sei que Jesus é o Filho de Deus, e ele é também meu Salvador”. Após Francis apresentar seu testemunho, Edith adicionou uma breve apologética à verdade bíblica. Os dois começaram a namorar e se casaram três anos depois.

4. Para que seu marido Francis pudesse terminar o seminário, Edith costurou ternos masculinos e fez becas e vestidos de noiva para clientes particulares.

5. Após três anos servindo em ministério pastoral ativo nos Estados Unidos, os Schaeffers mudaram-se com a família para a Suíça em 1948 para ajudar igrejas em seus esforços de resistir tanto ao liberalismo na teologia quanto ao existencialismo na cultura após a Segunda Guerra Mundial.

6. A L’Abri Fellowship [clique e conheça a extensão no Brasil] começou na Suíça em 1955 quando Francis e Edith decidiram abrir seu lar para ser um lugar onde as pessoas pudessem encontrar respostas satisfatórias para suas perguntas e demonstrações práticas de cuidado cristão. Foi chamada L’Abri, a palavra francesa para “abrigo”, porque eles buscaram proporcionar um abrigo das pressões de um século 20 inexoravelmente secular.

7. Em 1960, a L’Abri tinha se tornado tal fenômeno que atraiu  os olhos da revista Time. A “Family Letter” de Edith teve uma circulação de 1.300 pessoas, e seu “High Tea” de domingo à noite estava recebendo mais de 50 pessoas de todo o mundo semanalmente.

8. Edith ajudou a restaurar e popularizar as artes quase esquecidas da hospitalidade e do serviço de casa dentro da comunidade evangélica durante o fim do século vinte. Conforme ela escreveu em seu livro O que é uma Família?, “É necessário haver uma dona de casa exercitando alguma medida de habilidade, imaginação, criatividade e desejo de satisfazer necessidades e dar prazer aos outros na família. Quão preciosa é a família humana. Ela não vale algum sacrifício em tempo, energia, segurança, desconforto, trabalho? Há alguma coisa que venha à existência sem trabalho?”

9. Edith escreveu ou coescreveu 20 livros, dois a menos que seu marido.  Dois de seus livros (“Aflição” e “A Tapeçaria: A Vida e a Época de Francis e Edith Schaeffer”) ganharam o Prêmio Medalhão de Ouro da Associação de Editoras Cristãs Evangélicas (Evangelical Christian Publishers Association).

Por Joe Carter, Copyright © 2013. Copyright © 2013 The Gospel Coalition . Original: 9 Things You Should Know About Edith Schaeffer.

Tradução: Alan Cristie. © Voltemos Ao Evangelho. Website: www.voltemosaoevangelho.com

Conheça seu Inimigo (I) | Josaías Jr.

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Eu gosto de séries de TV. E quem me conhece sabe que gosto não apenas de séries, mas de citar as séries, ganhar presentes relacionados a séries, imitar personagens e pior – usá-las de exemplo em sermões, palestras e textos (quando relevante, claro). Dito isso, há uma série inglesa que gosto muito. Chama-se Doctor Who e ela tem uma tradição de popularizar algumas frases marcantes. Uma dessas frases é Don’t Blink (“Não pisque”). A expressão ficou famosa devido a um episódio que apresenta certos personagens com uma habilidade estranha, mas interessante. (É meio viajante, mas por favor, continue lendo). Eles se tornam pedra se alguém estiver os observando. Ficam ali, parados, endurecidos, perdidos no meio do cenário… até que você pisca e eles correm em sua direção.

A frase ficou famosa entre os fãs da série porque o episódio é extremamente tenso. “Don’t Blink! Não pisque! Pisque e você está morto. Não olhe para os lados. Não dê as costas. E não pisque! Boa sorte.” São essas as instruções que o Doutor, o protagonista, dá a seus aliados. E ele sabe que é quase impossível escapar. (Até porque se eu falar para você não piscar, você provavelmente vai sentir vontade de piscar).

Em parte, isso me lembra da maneira como as tentações acontecem em nossa vida. Claro, isso é só uma ilustração. Você não precisa achar todos os pontos idênticos. Mas, o fato é que estamos o tempo todo sendo observados por seres eternos, especialistas em tentar, em mostrar aquilo que queremos, em nos fazer lutar contra a vontade de Deus. Logo, pisque e você está morto. Não olhe para o lado. Não dê as costas. Curioso é que os personagens que se tornam pedra são chamados de Anjos Lamentadores.

Sim, estou usando isso para falar de anjos caídos. Estou falando sobre o nosso inimigo e eu sei que responsabilidade terrível é falar sobre o assunto. Eu mesmo já caí sob o engano dele inúmeras vezes. Eu pisquei, olhei para o lado, dei as costas, perdi o foco, observei coisas mais interessantes, ou mesmo fingi que ele não estava lá. Imagino que você tenha passado por isso também. Algo importante nessa luta diária é conhecer nosso inimigo.  Por isso, acho que o texto de Mateus 4.1-11 é apropriado para tratarmos desse assunto. Não será uma lista extensiva das maneiras como o inimigo nos tenta, mas ele nos apresenta algumas de suas estratégias básicas.

Nessa série, veremos como a tentação de Jesus nos auxilia a enxergar as tentações em nossas vidas e não nos esquecermos de que estamos continuamente em guerra.

Mateus 4.1-11

Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; e, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.

Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.

 O Contexto

O evangelho de Mateus tem como característica especial ter sido escrito para judeus. O autor inicia seu livro dizendo que Jesus era filho de Abraão e filho de Davi. Ou seja, ele era tanto herdeiro da promessa para Abraão quanto herdeiro do trono. Ele era o Messias esperado, e aquele que traria cumprimento à promessa de que todos os reinos da terra seriam abençoados. Isso é importantíssimo na leitura do livro e, claro, do relato da tentação.

No capítulo 3, presenciamos o início do ministério de Cristo com seu batismo e a afirmação de Deus de que ele era “meu Filho, em quem me comprazo” (3.17). A seguir, Jesus é levado a um deserto, onde  jejua por 40 dias e 40 noites. Existem alusões ao passado de Israel aqui – como Israel, ele foi chamado a permanecer no deserto. Ele é o novo Israel, a semente de Abraão. E agora ele deve mostrar que é superior ao Antigo povo. O que Jesus faz não é apenas uma questão de santidade pessoal, mas um passo adiante em sua missão e em seu propósito aqui na terra. Ele está cumprindo o que Israel não alcançou.

Nessa situação de debilidade, o diabo surge para tentá-lo e usa três provocações. Temos muito a aprender sobre elas, porque a Bíblia ensina que Jesus foi tentado da mesma maneira que nós (Hb 4.15). Mas pelo fato dele ser tentado, temos a quem recorrer confiantemente.Vejamos então como ele foi provado.

Crise de identidade: “Se és o Filho de Deus…”

O título “Filho de Deus” não faz apenas referência ao fato de Jesus ser Deus Filho. Ele também remete a personagens bíblicos que ocuparam esse papel de “Filho de Deus”. Primeiro, a Adão, cujo único pai era Deus. Lucas enfatiza isso ao incluir “Deus” como descendente de Adão em sua genealogia (Lc 3.38). Segundo, remete a Israel, que é chamado de filho várias vezes durante o Antigo Testamento – “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho” (Oséias 11.1). Terceiro, remete a Davi e aos reis de Israel, que eram chamados filhos de Deus (como o Salmo 2, ensina por exemplo). O leitor judeu sabia o que significava o Senhor Deus chamar alguém de “meu Filho”. E o diabo também.

Segundo Russell Moore, a tentação do diabo questionava a identidade de Jesus. Ele deveria mostrar quem ele era realizando um milagre e satisfazendo sua fome. Já Octavius Winslow enfatiza a falta de confiança na providência divina. Podemos dizer que os dois estão certos – em última análise, você é quem você é e está onde está pela providência de Deus.

Note que, em si, não há nada de errado com aquilo que o diabo pede. Jesus era o Filho de Deus, Jesus realizou milagres e Jesus até foi chamado de glutão. A questão não era realizar o milagre ou comer – mas fazer isso naquela situação e por motivações erradas. Usar sua autoridade, seu nome, sua posição para sair do propósito de Deus.

Enquanto o propósito do jejum era humilhar Jesus e torná-lo totalmente dependente da providência divina, o propósito do milagre proposto pelo diabo era exaltar-se e depender somente da própria força. Basicamente dizia: “Se és Filho de Deus, demonstra sua filiação, negando que depende do seu Pai”.

Boa parte dos nossos pecados envolvem uma crise de identidade e falta de confiança na providência divina. Não aceitamos ser quem Deus diz quem somos ou não queremos o lugar em que ele nos colocou. Pecamos porque (1) desejamos ser quem não somos (como um garoto que fantasia com a garota que não é sua esposa ou Israel querendo voltar para o Egito ou Adão desejando ser igual a Deus); (2) porque negamos quem somos (Pedro é o exemplo clássico ao negar ser discípulo de Cristo ou uma menina que mente sobre sua posição social ou um pai que não assume responsabilidade).

Boa parte dos nossos pecados envolvem uma crise de identidade e falta de confiança na providência divina.

O pecado acontece em nossas vidas quando negamos que somos imagem de Deus, feitos para refletir a glória dele, quando não desejamos ser filhos de Deus, adotados para sermos santos como ele é santo e quando abusamos da graça de Deus, sabendo que Cristo pagou o preço por nossos pecados.

Jesus lembrou Satanás que um filho não deveria ser dependente apenas de pão, mas do alimento espiritual que vem de Deus. Jesus era Filho, era Rei, mas estava debaixo de uma autoridade maior naquele momento. E ele não desejava nada além daquilo. Ele não seria como Adão que tentou ser Deus, Ele não seria como Israel que negou ser Israel e queria ser Egito, Ele não seria como Davi que não aceitou as esposas que já tinha e foi atrás de Bate-Seba.

E conosco? Em quem está nossa identidade? Quem é nosso provedor? Quem desejamos ser? Em que posição desejamos estar? Veja – esta não é uma palavra contra objetivos ou contra aspirações. É uma palavra sobre enganar a si mesmo a respeito de quem somos, de onde estamos, e em quem confiamos. É uma palavra contra ingratidão, contra a falta de confiança, contra a mentira. Não somos nós que realizamos milagres, não somos nós que nem mesmo colocamos comida em nossas mesas. É o nosso Pai. O quanto confiamos nele? Ou a Palavra que vem dele não é o suficiente? Quando pecamos, temos a insolência de ser como a serpente e dizer “É assim que Deus disse?” (Gênesis 3.1). Negamos o pão e a providência do Senhor.

O mais irônico é que se Jesus provasse ser filho de Deus nos termos de Satanás, ele provaria ser, na verdade, filho do diabo. Ele nada teria a ver com Deus. Que o Espírito Santo nos livre desse caminho.

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