Zumbis e o Evangelho | Russell D. Moore

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Uma vez por ano, na cidade onde eu moro agora, há o que é conhecido como um “Zombie Walk“. Nesta noite, as pessoas (normalmente jovens moradores da cidade) se vestem como os “mortos vivos” da tradição de horror e arrastam-se com as mãos estendidas, gemendo, como um enxame, juntos, pelas ruas da cidade. Um jovem cristão que viu isso me disse que era a coisa mais próxima do que ele imaginava ser o inferno.

Eu pensei sobre os “zombie walkers” nesta manhã, enquanto lia um artigo do autor Chuck Klosterman, no New York Times, sobre a razão de os zumbis darem a volta por cima na cultura popular americana. Klosterman argumenta que as histórias de zumbis representam, para muitos americanos contemporâneos, “alegorias para como eles percebem a sua existência no dia-a-dia.”

A grande verdade sobre zumbis, ele argumenta, é que mesmo mortos como eles são, eles continuam vindo. Assim que você “mata” um homem morto, há outro logo atrás dele. “Em outras palavras, matar zumbis é filosoficamente semelhante a ler e eliminar 400 e-mails de trabalho em uma manhã de segunda-feira, ou preencher uma papelada que só gera mais papelada, ou seguir fofocas de Twitter por obrigação, ou realizar tarefas tediosas em que o único risco real é ser consumido pela avalanche”.

Claramente, há algo sobre os zumbis que ressoa com a imaginação popular atual. Não são apenas zumbis retornando em filme de terror, mas eles estão por toda parte na ficção popular, desde romances de guerra apocalíptica de zumbis até as adaptações dos clássicos da ficção com os mortos-vivos (“Orgulho e Preconceito e Zumbis“, baseado na obra “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, é um exemplo). O próximo lançamento dos jogos de vídeo game terá Richard Nixon, entre várias pessoas, como um caçador de zumbis.

Eu acho que há mais do que cenário sobrecarregado descrito por Klosterman. O zumbi representa o que significa sentir-se morto-vivo e, ainda assim, incapaz de parar. Isso é, no fundo, uma condição espiritual, antes de ser sociológica.

Aqueles familiarizados com a história cristã sabem que o pecado humano original trouxe uma sentença de morte. O que muitas vezes não se nota é que essa pena de morte foi radicalmente graciosa. Após se juntar à serpente em sua rebelião contra Deus, o homem e a mulher estavam espiritualmente separados da vida com Deus. Eles foram mortos. Deus os exilou fora do Jardim do Éden não porque ele era maldoso com eles, mas para levá-los para longe do meio designado para manter as suas vidas, a Árvore da Vida. Deus enviou a humanidade pecadora para fora do santuário já que “não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre” (Gênesis 3.22).

Afastados da árvore da vida, a rebelião de Adão e Eva terminaria finalmente em morte. Com o passar de cada geração de pecadores, havia a esperança de um novo começo, um recomeço que viria definitivamente quando uma nova raiz da vida humana surgiu, o Filho nascido de uma virgem, Filho de Eva.

Ao longo da história bíblica, porém, existem aqueles que acham que a morte é o único problema. Os Evangelhos nos falam, por exemplo, daqueles que perguntam a Jesus sobre como a “herdar a vida eterna” (Mateus 19.16; Lucas 10.25). Jesus responde apontando o caminho para a vida. Muitas vezes, deixando seus interlocutores perplexos e decepcionados (Mt 19:21-22; Lc 10:37).

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Essa é a grande questão de todo o evangelho. A boa notícia não é apenas o fugir do fim da existência. Pior que isso é uma vida em curso presa em morte espiritual. Isso não é vida. Viver como uma criatura morta, dirigida por desejos demoníacos (Ef 2:1-3) é mais parecido com um zumbi do que a vida abundante prometida no evangelho. Afinal, em nosso pecado, é isso que nós éramos: cadáveres ambulantes que viviam apenas para alimentar nossos apetites.

Talvez por isso tão poucos são persuadidos pelos nossos apelos para a vida eterna. Para alguns, a própria ideia de vida eterna é a coisa mais desanimadora a se imaginar. E por boas razões. Eles são, como nós estávamos, o mortos-vivos. O evangelho é a promessa da vida eterna, mas só depois da promessa da morte.

Em Cristo, somos, crucificados e sepultados. Nosso corpo morto-vivo é finalmente posto para descansar. E então, em Cristo, somos elevados, não apenas à continuação da vida, mas à “vida nova” (Romanos 6.4), para uma “nova criação” (2 Coríntios 5.17).

Na próxima vez que você vir um romance de zumbis na prateleira da livraria, ou na próxima vez que você passar por um anúncio de algum filme de zumbis sangrentos, pare e ore por aqueles que se sentem como mortos-vivos.

E lembre-se que esta já foi a sua história de vida. Você estava morto para a fonte da vida. Você estava andando por uma força motriz que te consumia mais e mais, e que nunca poderia dar-lhe vida. E não havia fim à vista. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, quando ainda estávamos mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Efésios 2.5).

Tradução: Rafael Bello | original aqui.

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Qual interpretação é a melhor?

Existem tantas interpretações diferentes sobre o que a Bíblia está dizendo. Como eu sei qual está certa?

Esse é um problema que afeta a todos nós. Existem algumas coisas teóricas que podemos dizer sobre isso, mas eu preferiria gastar tempo com as práticas.

A Igreja Católica Romana crê que uma função da igreja é ser o intérprete autorizado da Escritura. Crêem que não apenas temos uma Bíblia infalível mas temos também uma interpretação infalível da Bíblia. Isso, de certa forma, ameniza o problema, embora não o elimine completamente. Você ainda tem o problema de que teremos de interpretar as interpretações infalíveis da Bíblia. Mais cedo ou mais tarde, isso se encaminha para nós, que não somos infalíveis, resolvermos. Temos esse dilema porque existem um grande número de diferentes interpretações sobre o que os papas dizem e sobre o que o conselho da igreja diz, assim como há uma grande quantidade de diferentes interpretações sobre o que a Bíblia fala.

Algumas pessoas quase se desesperam, dizendo que “se os teólogos não entram em acordo sobre isso, como eu, um simples cristão, serei capaz de entender quem está me contando a verdade?”.

Vemos essas mesmas diferenças de opinião na medicina. Um doutor diz que você precisa de uma operação, e o outro fala que não. Como vou descobrir quem está me contando a verdade? Estou apostando a minha vida no médico em quem eu confiar nesse ponto. É incômodo ter especialistas divergindo sobre questões importantes, e essas questões da interpretação bíblica são muito mais importante do que se devo ou não retirar meu apêndice. O que você faz quando tem um caso como esse, de opiniões diversas de médicos? Você vai a um terceiro médico. Você tenta investigar, tenta olhar as credenciais para ver quem tem o melhor treinamento, quem é o mais confiável; então você ouve cada médico te apresentar a posição dele e julga qual é a mais persuasiva e convincente. Eu diria que a mesma coisa acontece com as diferentes interpretações bíblicas.

A primeira coisa que eu quero saber é: quem está interpretando? Ele é educado? Eu ligo a televisão e vejo todos os tipos de ensinamento de pregadores televisivos que, de maneira franca, simplesmente não são treinados na teologia técnica ou em estudos bíblicos. Eles não têm qualificações acadêmicas. Eu sei que pessoas sem qualificações acadêmicas podem ter uma segura interpretação da Bíblia, mas eles não são tão propensos a serem precisos quanto aqueles que passaram anos e anos de pesquisa cuidadosa e treinamento disciplinado a fim de lidar com questões difíceis de interpretação bíblica.

A Bíblia é um livro aberto a todos, e todos têm uma chance de justificar tudo o que quiserem encontrar. Nós temos de ver as credenciais dos professores. Não somente isso, mas não devemos confiar apenas na opinião de uma pessoa. É por isso que, quando se trata de interpretação bíblica, muitas vezes aconselho as pessoas a checarem o máximo de fontes seguras, e não somente fontes contemporâneas, mas as grandes mentes, as mentes reconhecidas da história cristã. É impressionante para mim a quantidade de acordo que existe entre Agostinho, Tomás de Aquino, Anselmo, Lutero, Calvino, e Edwards – os titãs reconhecidos da história da igreja. Eu sempre os consulto porque eles são os melhores. Se você quer saber sobre algo, vá aos profissionais.

Fonte: Iprodigo

Cinco Mitos sobre o Inferno #5

Mito #5: O Inferno É Para Pessoas Más.  

Este é o mais perigoso de todos os mitos sobre o inferno. “O inferno é para pessoas más”. É claro, este é bem complicado, e depende do que nós queremos dizer quando falamos “pessoas más”. Na minha experiência, “pessoas más” simplesmente significa “outras pessoas”. Pessoas que fizeram pior do que nós, pelo menos de acordo com nossa estimativa. O inferno é para os maus, os piores que nós, os piores de todos. O inferno é para Hitler e Sadam Hussain, John Wayne Gacey (assassino em série americano) ou Kim Jong-il. Não é para nós, pessoas normais. Boas pessoas. O ponto em que nós devemos concordar com este mito é que o inferno é para pessoas más. E todos nós somos “maus”.

Jesus disse que ninguém é bom, a não ser Deus (Lucas 18:19). O apóstolo Paulo escreveu que ninguém é justo, todos viraram as costas para Deus e se tornaram inúteis (Romanos 3:10-18). Sim, nós somos todos maus e merecedores da condenação eterna. Enquanto uma mulher pode ser pior que uma outra em suas práticas, ou o pecado de um homem pode ser mais hediondo do que o pecado de um outro, nós somos todos igualmente pecadores e somos desesperadamente necessitados da misericórdia de Deus.

O inferno é para pessoas más, se por “pessoas más” nós estamos nos referindo a pessoas como nós. Nossa esperança não é que nós vamos nos tornar pessoas boas, ou mesmo pessoas melhores. Nossa confiança diante de Deus não é que nós iremos de alguma forma nos levantar em meio às pessoas más do mundo. Nossa esperança e confiança diante de Deus é que o evangelho – as boas novas de que todos os que crêem em Jesus são unidos com ele, considerados justos nele, e perdoados de todo pecado, por meio dele.

Então, em um certo sentido, o inferno é para pessoas más, mas em outro sentido, o céu também é. O primeiro recebe aqueles que rejeitaram a verdade de Deus, enquanto o segundo recebe aqueles que receberam Jesus (João 1:12-13).

Joe Thorn

Fonte: Iprodigo

Cinco Mitos sobre o Inferno #4

Mito #4: O Inferno é a Ausência de Deus.

Você provavelmente já ouviu esse mito também. “O que há de pior a respeito do inferno”, raciocinam algumas pessoas, “é que você está sozinho”. Inferno é isolamento, e já que fomos criados para a comunhão (com Deus e com as outras pessoas) é isso que faz do inferno um julgamento tão terrível.

É claro, a verdade é que não há lugar em que nosso Deus onipresente não esteja (Salmo 139). Não é a ausência de Deus que torna o inferno terrível, é a sua proximidade que o faz. Inferno não é a ausência de Deus, mas a ausência da graça e misericórdia divinas. Ah, sim, Deus está presente no inferno, para fazer perfeita justiça e julgamento.

Nossa confiança no evangelho é que em Cristo nossos pecados foram pagos, e estamos em paz com Deus. Em Cristo temos a verdadeira e duradoura intimidade com Deus para a qual fomos criados. Portanto, a proximidade de Deus é algo bom (Salmos 73:28) e podemos chegar pra perto de Deus (Tiago 4:8) já que ele está sentado sobre o trono da graça (Hebreus 4:16) e podemos esperar receber graça, e não julgamento.

Fonte: Iprodigo

Apocalipse 19: As bodas do Cordeiro

As bodas do Cordeiro (19.1-10)

Ouvimos, agora, as aleluias do céu quando Cristo vem em glória para tomar para si a sua noiva, a Igreja (19.7). O céu celebra a vitória de Deus sobre a meretriz, Babilônia. João ouve primeiro um grande som de imensa multidão. As hostes de anjos atribuem a salvação, a glória e o poder a Deus. Declaram que ao ter julgado a grande meretriz, Deus aperfeiçoou a salvação do seu povo. Assim, a glória dos seus atributos se torna mani­festa e seu poder é revelado. Foi Deus, e só ele, quem operou a salvação (cf. Ap 12.10). Sobretudo, efetivando a queda da Babilônia, a justiça de Jeová é demonstrada (cf. Ap 15.3s.), pois a meretriz havia corrompido a totalidade da terra com sua pros­tituição (cf. Ap 14.8; Jr 51.7). A exaltação a si mesmo e a condução das pessoas para longe de Deus foi seu principal pra­zer. Além disso, ela provocou a morte dos santos (cf. Ap 17.6; 18.24). Agora, Deus retribui com sua vingança (Ap 8.5; Jr 50.13). Os anjos se regozijam imensamente na salvação do povo de Deus. Estão cheios de alegria no coração ao ponderar sobre o fato de que toda oposição foi extinta para sempre. De novo, eles expressam sua alegria, clamando: “Aleluia!” Seu coração parece se encher de êxtase ao ponto máximo, e em seu arreba­tamento, gritam: “Louvado seja Jeová!” Esse é o significado de “Aleluia”, termo que, no Novo Testamento, só é encontrado aqui. A fumaça de Babilônia sobe pelos séculos dos séculos (Ap 14.11; 18.8, 9, 18, 21ss.; Is 13.20; Mt 25.46). Ela jamais se levantará para molestar a Igreja.

Em seguida, os 24 anciãos, que simbolizam a totalidade da Igreja, louvam a Deus, como também os quatro querubins, que representam todos os querubins (Ap 4.2-6; 5.14; 7.15). Tão ple­nos estão de gratidão que só podem repetir: “Aleluia! Amém”. Eles expressam sua adoração a Deus, que está sentado no trono e que é altamente exaltado, glorioso e soberano.

Então João ouve uma voz – um dos querubins ou um dos outros anjos? – vinda da região do trono, exclamando: “Dai lou­vores ao nosso Deus, todos os seus servos, os que o temeis, grandes e pequenos!” Do menor dos anjos ao maior dos santos, lodos são chamados para glorificar a Deus, o autor da salvação, pois todos o servem com reverência.

João, então, ouve a voz de todos os exércitos do céu, tanto anjos quanto homens. Assemelha-se ao som de muitas águas e fortes trovões, pois as aleluias saem, espontaneamente, de inu­meráveis lábios (14.2).

As vozes proclamam em uníssono que o Senhor, Deus, o Todo-poderoso, se revelou, agora, na plena majestade de sua glória e poder reais (verso 6). Cada um incita seu próximo a regozijar-se e a alegrar-se imensamente, e, sobretudo, a dar toda a glória a Deus (1.6; 14.7). A razão dessa explosão de júbilo é dada nestas palavras:

Porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos.

A fim de se entender o significado dessa passagem subli­me, é preciso rever, brevemente, os costumes dos hebreus quanto ao casamento. Distinguimos os seguintes elementos no matrimonio judeu. Primeiro há o contrato de casamento, consi­derado um compromisso mais sério do que o nosso noivado. Os termos do casamento são aceitos em presença de testemunhas e a bênção de Deus sobre a união é aí declarada. A partir desse dia o noivo e a noiva são, legalmente, marido e mulher (2 Co 11.2). Depois, há o intervalo entre o contrato e a festa de casa­mento. Durante esse intervalo o noivo paga um dote ao pai danoiva, caso isso já não tenha sido feito (Gn 34.12). Algumas vezes o dote é pago em serviços prestados (Gn 29.20).

Então, há a procissão quase ao fim do intervalo. A noiva se prepara e se adorna. O noivo, vestido em suas melhores roupas e acompanhado dos seus amigos, que cantam e portam tochas, se encaminha para o local da cerimônia de contrato. Ali ele recebe a noiva e a conduz, ainda em procissão, à sua própria casa ou à casa dos seus pais (Mt 9.15; cf também Mt 25.1ss.). Quando o noivo chegava a esse ponto, a festa às vezes se esten­dia até a casa da noiva. Finalmente, há a festa do casamento, que inclui o jantar. Geralmente, as festas duravam, em média sete dias.

A Escritura muitas vezes compara o relacionamento de amor entre o noivo e a noiva ao que existe entre Jeová e seu povo, ou entre Cristo e sua Igreja (Is 50.1 ss.; 54.1 ss.; Ef 5.32; Ap 21.9). Na verdade, o primeiro é um símbolo, um reflexo pálido da glória e maravilha do último.

Agora, a Igreja tem um contrato de casamento firmado com Cristo. Cristo, sobretudo, já pagou o dote por ela; comprou sua noiva, a Igreja:

Para resgatar a Igreja, Grande preço Cristo deu. Não foi ouro nem foi prata; Foi seu sangue que verteu.

O “intervalo” de separação chegou. É a totalidade da dispensação entre a ascensão de Cristo ao céu e a sua segunda vinda. Durante esse período a noiva se prepara. Ela se veste de linho finíssimo, resplendente e puro. O linho fino simboliza seus atos de justiça, seu caráter santificado (7.13). Suas obras foram lavadas pelo sangue de Cristo. Lembre-se, no entanto, que tal justiça lhe é conferida pela graça soberana de Deus.

Ao final desta dispensação, o Noivo, acompanhado por anjos de glória (Mt 25.31), vem para receber sua noiva, a Igreja. A festa de casamento começa. A passagem em questão se refere nestas palavras a esse momento glorioso:

“É chegada as bodas (ou festa de casamento) do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou!”

A festa dura não só uma ou duas semanas, mas para sem­pre! É o clímax da totalidade do processo pelo qual o Noivo, Cristo, vem à sua noiva, a Igreja. É o objetivo e o propósito de uma sempre crescente intimidade, amizade e comunhão entre o Redentor e o redimido. Em Cristo, a noiva foi escolhida desde a eternidade. Ao longo da dispensação do Antigo Testamento inteiro as bodas foram anunciadas. Depois, o Filho de Deus assumiu nossa carne e sangue: o contrato de casamento foi feito. O preço – o dote – foi pago no Calvário. E agora, após um inter­valo, que aos olhos de Deus é apenas um momento, o Noivo retorna e “são chegadas as bodas do Cordeiro”. A Igreja na terra anseia por este momento, como também a Igreja no céu. E então, todos estaremos com ele para sempre. Haverá uma comu­nhão santa, abençoada e permanente: a completa realização de todas as promessas do evangelho.

Mesmo durante esta presente dispensação – o “intervalo” da separação – aqueles que são “eficazmente chamados” (não meramente “convidados”) para as bodas do Cordeiro são aben­çoados (verso 9). Mesmo antes que as bodas em si comecem, já os “chamados” são abençoados; e essas são as verdadeiras pala­vras de Deus. São genuínas e reais. Em pleno êxtase, o apóstolo se ajoelha aos pés daquele que fala, para adorá-lo. Teria ele tomado o orador pelo próprio Senhor Jesus Cristo? De qual­quer forma, o orador, que era, provavelmente, um dos querubins ou outro anjo, impede o pretendido culto, dizendo: “Adora a Deus”. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”. O espírito é o conteúdo de toda profecia verdadeira – isto é, a Bíblia inteira – é o testemunho de Jesus, o testemunho que ele nos revelou. A revelação que ele nos deu impede-nos de adorar qualquer coisa além de Deus (Mt 4.10).

Tendo sido descartada a meretriz, Babilônia, voltamos os nossos olhos, agora, para a besta e para o falso profeta. O que acontece com eles? Das aleluias no céu no momento e após o dia do juízo, retornamos ao momento que antecede esse dia.

Apocalipse 17: Os Dez Reis

Apocalipse 17:12 – Os Dez Reis

Os dez reis são realmente os poderosos desta terra em cada domínio: arte, educação, indústria, governo, etc., à medida que servem à autoridade central. Seu objetivo é a autoglorificação em oposição a Cristo. Para alcançar esse objetivo eles estão dispostos a dar poder e autoridade à besta. Eles reinam com a besta por apenas “uma hora”. Cada governo do mundo tem seus satélites, e estes, de modo geral, duram, também, apenas “uma hora”. Todos os “chifres-reis” têm um propósito, isto é, apoiar a besta no conflito com Cristo e sua Igreja. O seu propósito unâ­nime é declarado no verso 14. Esse verso, como já foi mencio­nado, declara o tema da totalidade do livro: “Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele”.

Ao longo da História, principalmente através desta dispensação, o Cordeiro constantemente derrota e derrotará cada forma de domínio anticristão. Todo reino do anticristo perece. Isso será especialmente evidente quando o Cordeiro esmagar o poder do último grande anticristo ao término da História do mundo (cfe. Ap 11.11; 16.14ss.; 19.llss.; 2Ts 2.8). Por um mo­mento pode parecer que as forças do anticristo tenham levado a melhor (Ap 11.7; 13.7). Mas quando o anticristo parecer com­pletamente vitorioso, sua ruína será eminente! Cristo sempre se revela como o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Dt 10.17) e os crentes são vitoriosos com Cristo. Eles são chamados pela graça irresistível de Deus (1Pe 2.9; Rm 8.30). Esse chamado “interior” prova o fato de que foram escolhidos para a salvação e para a vitória desde a eternidade (Ef 1.4). Sobretudo, sua pró­pria lealdade e fidelidade a Cristo fornecem evidências de que são, na verdade, filhos de Deus (cf. Ap 1.5; 2.10, etc.; para en­tender 17.15 ver 13.1). Evidentemente, João viu um tipo de lago no deserto. Nesse lago ele viu a besta e sobre a besta, a mulher. As águas desse lago simbolizam as nações emergentes, povos, etc. deste mundo que, constantemente, se opõem à Igreja e a perseguem (cf. Jr 51.13).

Por um pouco tudo parece correr bem: o mundo em geral e, especialmente, os mais poderosos dele se comprometem com a grande meretriz. Eles conduzem a mulher: acolhem totalmen­te suas ilusões e enganos, sua cultura anticristã. Apegam-se às luxúrias do mundo. Agradam-se imensamente da “concupiscên­cia da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”. No final (versos 15,16), porém, esse mesmo povo que constitui o “mundo anticristao” se volta contra a meretriz. Pessoas do mundo, incluindo também os poderosos da terra – os dez chi­fres – acabarão odiando a meretriz; eles arrancarão suas vestes e a despojarão de seus ornamentos extravagantemente bonitos e caros; devorarão sua carne; e a farão arder num incêndio.

O significado é que virá um tempo quando as pessoas do mundo – que com seus governos anticristãos constituem “a besta” e que estão enfeitiçados com a “meretriz”, isto é, a sedução deste mundo, seus prazeres e ilusões, sua cultura e luxúria – verão quão tolas elas têm sido. Mas, então, será muito tarde. Assim, por exemplo, Judas Iscariotes, que bebeu da taça dourada – Mamom foi seu ouro – e por um momento considerou as trinta peças tão encantadoras, finalmente experimentou uma revolta de sentimentos e lançou de volta o dinheiro ante os sacerdotes e anciãos, e, depois, enforcou-se (Mt 27.3ss.; At 1.18). Os prazeres do pecado sempre desapontam no final. Garotas tolas podem admirar o profeta velado; mas, uma vez que o véu é retirado, e elas veem sua feição odiosa, enchem-se de desespero. Deus mesmo, finalmente, endurece o coração daqueles que se endure­ceram contra suas repetidas advertências (verso 17). Apocalipse 17.16, 17 é uma lição para o cotidiano. Revela o caminho das pessoas mundanas: primeiro, elas tornam-se apaixonadas em relação aos prazeres e tesouros do mundo e se tomam endurecidas em relação a Deus; depois, são endurecidas por ele; finalmente, quando já tarde demais, experimentam uma revolta de senti­mentos. São punidas pelo resultado de sua própria estultícia.

Quando o mundo oferece-nos seus tesouros, devemos seguir o exemplo de Jesus (Mt 4.8ss.). Assegure-se de ler esta palavra e de guardá-la no coração:

O Diabo levou-o ainda a um monte muito alto, mostrou-lhe dali todos os países do mundo com as suas grandezas e disse: “Tudo isto te darei se de joelhos me adorares.” Jesus respondeu: “Vai-te, Satanás! A Escritura diz: Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto.”

Babilônia, a Grande Prostituta

Em Apocalipse 17:1-19:10, Babilônia, a prostituta. Uma visão ampliada elabora sobre a queda de Babilônia, previamente anunciada por um anjo (14:08) e retratado na sétima taça (16,18-19). A cidade aparece como uma mulher, um prostituta (17:1-6), então um anjo explica o significado da mulher e da besta sobre a qual ela se senta. Finalmente, uma série de vozes comentam sobre a queda do ponto de vista do céu, do outro lado o lamento terrestre (18:9-19), e novamente do ponto de vista do céu (18:2019:10). A grande prostituta e Babilônia, a grande, (cap. 1718) são sinônimos, ambas representando o império da besta. Muitos Futuristas pensam que Babilônia representa uma grande entidade religiosa que acompanhará e apoiará o Anticristo no fim dos tempos. Outros preveem uma recuperação real da antiga Babilônia, enquanto outros ainda acham que isso representa algum tipo de reavivamento do Império Romano ou entidade política similar.

17:1-15Poder e luxo da Babilônia. 

Roupas luxuosas  e jóias da Babilônia  significam o fascínio da prosperidade. O nome dela, a mãe das prostitutas e abominações da terra (17:5), representa a luxúria das sociedades sem Deus para o prazer sensual e a rejeição de todas as restrições. Ela se embriaga com o sangue dos santos, e a besta sobre a qual ela se senta, revelam que, em culturas que desafiam a Deus, uma astuta conspiração une-se a busca incessante de riqueza e de prazer e ao exercício de brutal do poder político e coercivo.

17:1 Muitas Águas: simboliza muitos povos e nações sobre as quais a Babilônia governa (vv. 15, 18). O contraste entre a prostituta e a noiva do Cordeiro é enfatizado por semelhanças na forma como eles são introduzidos. Em ambos os casos, um dos anjos com as sete taças diz John, “Venha, vou mostrar-lhe,” e depois transporta-o para no Espírito. (cf. 21:9-10).

17:2 Imoralidade Sexual e infidelidade espiritual estão interligadas; nas Escrituras nas escrituras, muitas vezes os primeiros simbolizam os últimos (Ap 2.20-23; Ez 16:15-43)

17:6 vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus: uma sociedade viciada  em prazer conspira com o estado viciado em poder para silenciar o testemunho de Jesus, colocando seus seguidores à morte.