Idolatria na Adoração | Bob Kauflin

Microphone

Qual é o maior obstáculo para você ao adorar a Deus junto com a igreja?

Posso pensar em várias respostas possíveis: nosso líder de música não tem muita experiência. A liturgia é muito engessada. A banda é muito ruim. O pregador é muito desanimado. Nossa igreja é muito pequena. Ou, nossa igreja é muito grande.

Embora eu não queira minimizar a importância de planejamento fiel, habilidade musical e liderança sábia, nosso grande problema quando falamos de adorar a Deus não é externo a nós, mas está em nossos próprios corações. É o problema da idolatria.

Qualquer outra coisa além de Jesus

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”, disse João ao encerrar sua primeira carta. Em outras palavras, não busque em qualquer outra coisa além da glória de Deus em Cristo a fonte de sua maior alegria, mais profunda satisfação e maior autoridade.

A idolatria pode estar em ação em meu coração mesmo quando estou reunido com o resto da igreja. Sempre que penso que não posso me encontrar com Deus a não ser que “x” esteja presente, estou afirmando algo muito profundo. Se “x” é qualquer coisa além de Jesus Cristo e seu Espírito Santo, estou me movendo em território idólatra.

É claro, Deus usa meios para se revelar. Nós o encontramos por meio de sua palavra lida e pregada, pela Santa Ceia, na comunhão uns com os outros e em nossas canções e orações. Mas quando fazemos desses meios – ou, mais especificamente, a execução desses meios – a base para nossa comunhão com Deus, acabamos de adicionar uma barreira desnecessária para encontrá-lo. Nós comparecemos à assembleia dos santos como consumidores e juízes idólatras, ao invés de servos e recebedores agradecidos.

Nossos ídolos nos cultos de Domingo

Quais são alguns dos ídolos que talvez enfrentamos nos Domingos? Aqui estão alguns que me vêm à mente.

Excelência musical

É fácil ser distraído por execuções desleixadas, músicas simplistas, guitarras e vocalistas desafinados, bateristas fora de ritmo ou uma mesa de som desregulada. É por isso que habilidade musical é um mandamento bíblico (Salmo 33.3). Mas ao invés de apenas criticar internamente o que está acontecendo, eu posso pensar que Deus usa as coisas tolas desse mundo para confundir as sábias (1 Coríntios 1.20-31). Eu posso me lembrar que Jesus aperfeiçoa todas as nossas ofertas de adoração por meio de seu sacrifício definitivo (1 Pedro 2.5), e que mesmo a apresentação mais brilhante é insuficiente em si mesma para merecer o favor de Deus. Pode ser útil também conversar com o responsável após o culto para comunicar, de forma humilde, o que você tem ouvido onde você se senta.

Preferência musical

Nossos líderes nem sempre escolhem as músicas do nosso iPod. E eles não deveriam. A melhor música para a congregação serve tanto à letra quanto à unidade da congregação, não aos nossos gostos e desgostos pessoais. Nenhuma música deveria nos impedir de glorificar nosso Redentor. Nós nos reunimos com o corpo para edificarmos uns aos outros. Eu dou mais glória a Deus ao me regozijar quando os outros membros da igreja estão sendo edificadas por uma música, mesmo que não seja uma das minhas preferidas.

Habilidade homilética

Quem nos dera que todo pregador fosse tão bem treinado, dotado e hábil como alguns dos pregadores mais conhecidos de nossos tempos. Mas não são. Mas, desde que estejam pregando o evangelho e buscando comunicar a palavra de Deus fielmente, eles estão obedecendo a Deus – e nós podemos nos regozijar nisso (2 Timóteo 4.2). Como o avô de Charles Spurgeon disse certa vez, alguém pode pregar melhor o evangelho, mas ninguém prega um evangelho melhor. Seja resoluto em encorajar e agradecer o pregador da sua igreja.

Criatividade

Criatividade nunca deve ser o objetivo da nossa adoração. Deve ser apenas um meio para o fim de demonstrar e enxergar a glória de Cristo mais claramente. Novas formas ou meios de comunicação podem nos dar uma perspectiva diferente, de forma que a verdade tenha um impacto maior em nós. Mas se estamos preocupados porque nossa adoração comunitária não é legal, hipster, ou surpreendente o suficiente, precisamos nos lembrar que o evangelho de Cristo é sempre uma novidade – e a melhor novidade que poderíamos ouvir.

Experiências

Todos amam “experiências de adoração” com Deus. Mas o objetivo do povo de Deus ao se reunir não é simplesmente de sentir borboletas no estômago, mas ver e lembrar de algo com verdadeira afeição. Esse “algo” é a palavra, as obras e a glória de Deus, especialmente no que ele revelou de si mesmo em Jesus Cristo (2 Coríntios 4.6). Se eu busco apenas arrepios ou picos de emoção durante um culto, Deus se torna simplesmente mais uma das numerosas opções que eu posso escolher.

Liturgia

Formas e práticas são significativas quando nos reunimos como povo de Deus par adorá-lo. Nossas reuniões refletem e modelam nossas crenças. Mas não há qualquer “perfeccionismo litúrgico” que possamos alcançar que jamais fará nossa adoração mais aceitável pra Deus do que ela já é em Jesus. Nosso objetivo é fazer por meio da fé o que aumente a glória de Cristo mais efetivamente e de forma mais fiel à Escritura. Nós podemos e devemos usar elementos e proposições bíblicas na adoração comunitária. Mas a liturgia deve nos servir, não nos governar. Como Deus viu por bem dar liberdade na forma, nós também deveríamos.

Toda vez que nos reunimos, é uma oportunidade de glorificar a graça de Deus revelada a nós em nosso Salvador crucificado e ressurreto. Não deixemos os ídolos nos impedirem de nos regozijarmos na alegria inexprimível de que nossos pecados foram perdoados e fomos reconciliados com Deus.

Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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Joy (Alegria)

Quando escrevi pela primeira vez, ou devo dizer reescrevi “Joy (Alegria)”, não tinha ideia do efeito que essa música faria. Tenho recebido inúmeros emails, perguntas e comentários sobre esta canção. Várias com assunto do tipo: “Essa com certeza não é uma música alegre para mim!”. Mesmo para mim, vinham pessoas que me diziam não ter terminado de ouvir a canção, e a pulavam, pois ela parecia ser muito depressiva e confundiam em contraste com o resto do cd Hymns-I. Se, por ventura, você é alguém que não terminou de ouvir essa canção ainda, por favor, ouça até o fim. Seria como começar uma história e nunca terminá-la.

A primeira vez que toquei “Joy (Alegria)” foi na noite em que meu pai faleceu. Ele teve uma batalha curta e dolorosa contra o câncer. Meu pai não foi perfeito, mas ele fez o melhor que podia com o que tinha. Um ano antes de morrer, ele foi diagnosticado com demência. No dia em que ele me disse que tinha câncer, ele afirmou ser uma bênção. Para ele, o câncer era a melhor maneira de acabar com sua história de uma mente sem lembranças da sua família ou da sua vida.

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Então, assim, sentei-me ao piano, pois era o único lugar que me sentia segura naquela noite. O peso da perda batia no meu peito. Lembrei-me de meus olhos borrados por causa das lágrimas e literalmente comecei a tocar progressivamente a agora tão familiar “Joy (Alegria)”. Eu mantive o ciclo da música e então, como se já estivesse escrito, comecei a cantar uma melodia diferente para uma música que cantei na igreja quando era criança, “I’ve got the joy, joy, joy, joy down in my heart (Eu tenho a alegria, alegria, alegria, alegria no meu coração)”. A verdade é que eu estava terrível e profundamente triste. Eu nunca havia sido atingida tão completamente pela realidade da dor. Mas, então, tive uma profunda sensação de paz. Meu pai não tinha mais dor. Ele nao estava mais doente. Ele estava livre de todos os seus males e restaurado.

Embora eu ainda sinta falta dele, sei que Deus teceu redenção da morte na história do meu pai. Isso me traz grande alegria. Foi só a tristeza tornar-se parte da minha história que percebi que a alegria não é simplesmente uma expressão, mas uma atitude e reconhecimento da profunda paz de conhecer o Salvador.

Acredito que é importante quando uma comunidade quer consolar os cansados ao promover um momento para aqueles que estão de luto, sofrimento e experimentando a perda e digam: “Ei! Eu estou sofrendo! Estou com dor! “E tudo bem por dar-lhes espaço para descobrirem o que significa alegria no tempo certo.

Agora eu sei que você pode experimentar tristeza e alegria ao mesmo tempo… E se não, que a alegria possa realmente vir, se você permitir.

Eu tinha “Joy (alegria)” escrita sem o final, como está registrado no vídeo. E depois que eu tive algum tempo para lamentar, lembrei-me do hino “Sou Feliz”. O autor do hino perdeu vários membros de sua família de uma vez, quando escreveu essas palavras profundamente sábias. Pareceu-me apropriado terminar essa música com este hino em reconhecimento de que Deus nos traz paz. Ele nos traz alegria mesmo quando se parece e se sente ser impossível.

Ouça a versão completa abaixo: